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Câmara de Grândola não abdica do Parque de Campismo da Praia da Galé

O parque de campismo, em Melides, foi adquirido por cerca de 25 milhões de euros pela Discovery Land Company, uma multinacional americana que pretende transformar o espaço num resort de luxo.

Praia do Parque de Campismo da Galé 
Praia do Parque de Campismo da Galé Créditos / Booking

São cerca de 500 as pessoas que habitam os 32 hectares de pinhal, no Parque de Campismo da Praia da Galé (PCG), situados na costa alentejana (Fontainhas do Mar, perto de Melides), e com uma ligação directa à praia que lhe dá o nome. Durante o período de verão, o espaço chega a acolher alguns milhares de turistas, entre campistas e famílias que ali têm casas de férias.

O anúncio de venda do parque, a uma empresa especializada na administração de resorts de luxo, lançou o pânico e a indignação, não só entre os seus habitantes habituais, como entre os seus utilizadores. Em causa fica todo o concelho de Grândola, que recorre a este espaço há já várias décadas.

Em declarações prestadas em comunicado a que o AbrilAbril teve acesso, António Figueira Mendes, presidente da Câmara Municipal de Grândola (CMG), dá nota de que «embora privado, o PCG cumpre, há vários anos, funções importantes de serviço público e é uma fonte de criação de emprego e gerador de receitas para a economia do concelho».

São também «muitos anos e muitas famílias que fazem deste parque o seu lar durante o período de férias», recorda o texto da petição que está a ser dinamizada pelos utentes do parque de campismo. Com mais de 11 mil assinaturas, o documento pede que se mantenha, preserve e dê continuidade à actual configuração da Galé.

O projecto Costa Terra consiste na construção de 292 residências, onde o preço mínimo de um lote será de mais de três milhões de euros, assim como a construção de um campo de golfe. O Parque de Campismo da Galé seria assim o último obstáculo para a sua concretização.

Câmara Municipal de Grândola promete continuar a acompanhar o assunto

«Para a Câmara Municipal de Grândola é de grande importância garantir que o PCG se mantém em funcionamento – continuando a assegurar, de forma sustentável, o acesso universal ao lazer, bem-estar e qualidade de vida – num concelho que queremos que seja, cada vez mais, para todos», insiste o presidente da CMG.

No seguimento da reunião que a CMG realizou com a empresa Discovery Land Company, ficou dada a garantia de que «qualquer eventual alteração no modelo de funcionamento do PCG e/ou nas respetivas instalações será atempadamente comunicada aos utentes» e sempre coordenada com a estratégia turística do Município de Grândola.

A empresa comprometeu-se, igualmente, a não avançar com «nenhuma alteração ao modelo de funcionamento do PCG». Todos os 38 postos de trabalho serão mantidos e a empresa deu garantias à autarquia de que «todas as relações com fornecedores serão integral e escrupulosamente honradas e todos os contratos válidos e em vigor serão integral e escrupulosamente cumpridos».

Não obstante, a autarquia «continuará a acompanhar o assunto», continuando a defender a manutenção do parque no modelo em que hoje funciona. Um parque para todos e a que toda a gente possa ter acesso.

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