Minh Hung discursou esta quinta-feira na sessão de abertura do Fórum Empresarial ASEAN-Rússia, um evento que se integra na Cimeira Comemorativa ASEAN-Rússia, para assinalar o 35.º aniversário das relações entre o país euroasiático e o bloco do Sudeste Asiático.
Hung defendeu que o fórum constituiu uma oportunidade valiosa para a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e a Rússia trocarem perspectivas estratégicas, visando fomentar uma «cooperação futura mais ampla, substancial, conectada e resistente no meio das mudanças globais», refere a Vietnam News Agency (VNA).
Notando que o mundo está a sofrer transformações rápidas e complexas, enfatizou a importância de construir «parcerias de confiança, mercados estáveis e cadeias de abastecimento fortes, capazes de resistir a perturbações externas».
Neste contexto, o governante vietnamita propôs três vectores principais para a cooperação entre as partes, tendo defendido, em primeiro lugar, uma coordenação mais forte no desenvolvimento de cadeias de abastecimento sustentáveis e na expansão do comércio e do investimento.
Assim, Hung propôs que a ASEAN e a Rússia trabalhem de forma conjunta para construir cadeias de abastecimento estáveis, flexíveis e resistentes, ao mesmo tempo que desenvolvem rotas de transporte a ligar o Extremo Oriente russo ao Sudeste Asiático, incluindo portos marítimos e redes ferroviárias.
Esta conectividade – disse – ajudaria a facilitar o comércio, a reduzir as distâncias geográficas e a abrir novas oportunidades ao investimento e à cooperação comercial.
Energia e inovação como pilares fundamentais
Em segundo lugar, o primeiro-ministro vietnamita defendeu que a energia se posicione como um pilar fundamental da cooperação entre a ASEAN e a Rússia, tendo salientado que a segurança energética continua a ser um dos desafios mais prementes para o crescimento e desenvolvimento sustentável dos países.
Destacou também o potencial significativo de colaboração em energia limpa, gás natural liquefeito (GNL), hidrogénio, energia eólica offshore e tecnologias de eficiência energética.
A energia é, desde há muito, um pilar da parceria entre o Vietname e a Rússia, afirmou, manifestando o desejo do Vietname em trabalhar com a Rússia e os restantes membros da ASEAN em projectos viáveis, particularmente em energia limpa e tecnologias verdes, contribuindo, assim, para a segurança e estabilidade energética regional.
Le Minh Hung enfatizou ainda a importância crescente da tecnologia, da inovação e da transformação digital como novos motores de crescimento.
«Esta será uma das áreas mais importantes de cooperação entre a ASEAN e a Rússia nos próximos anos», declarou.
A ASEAN no seu todo e o Vietname, em particular, estão entre os mercados digitais de crescimento mais rápido do mundo. No Vietname, a inovação, a ciência e a tecnologia foram identificadas como motores-chave do desenvolvimento na nova era.
Cimeira importante
O primeiro dos dois dias do encontro de Cazã, na República do Tartaristão, contou com a presença de líderes da ASEAN, altos funcionários da Rússia e da região do Tartaristão, bem como representantes de associações empresariais, instituições de investigação e empresas de ambos os lados, indica a VNA.
Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Brunei, Vietname, Laos, Myanmar, Camboja e Timor-Leste integram a ASEAN, um bloco com uma população de cerca de 700 milhões de habitantes e grande dinamismo económico.
Numa peça publicada esta sexta-feira, a TeleSur salientou a importância económica deste bloco e a sua dependência energética, que se tornou patente no modo como tem sido afectado pelas «turbulências» a nível mundial.
É neste contexto que a cooperação com a Rússia ganha relevância, estando em curso vários projectos concretos nas áreas da energia, da agricultura, da educação ou do sector farmacêutico, entre outros.
Num contexto de crise, em que «Washington procura integrar o Sudeste Asiático num sistema de contenção contra a China», vários países da região – Indonésia, Laos e Vietname – estão a negociar o aumento das compras de produtos petrolíferos à Rússia.
O Brunei também se mostrou disposto a comprar mais petróleo à Rússia, enquanto as Filipinas solicitaram a Moscovo uma reunião bilateral de alto nível.
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