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Vietname: 47 anos após a Libertação, o desenvolvimento

A 30 de Abril de 1975, militares e guerrilheiros vietnamitas tomavam Saigão, depondo o governo fantoche apoiado pelos EUA. O Vietname reunificado é hoje um dinâmico país do Sudoeste Asiático.

Combatentes vietnamitas na libertação de Saigão (hoje cidade de Ho Chi Minh), a 30 de Abril de 1975
Combatentes vietnamitas na libertação de Saigão (hoje cidade de Ho Chi Minh), a 30 de Abril de 1975CréditosJean-Claude Labbe/GAMMA / El Correo Digital/Twitter

Sob os golpes da chamada Ofensiva da Primavera, iniciada no fim de Dezembro de 1974, desencadeada pelas forças do Exército do Povo do Vietname (EPV) e dos guerrilheiros da Frente de Libertação Nacional do Vietname do Sul (FLN, conhecida também como Vietcongue, da sua designação abreviada em vietnamita), o aparelho militar financiado e apoiado pelos EUA desmorona-se com uma rapidez que surpreendeu os agentes da CIA no terreno.

Em 27 de Abril a capital do antigo Vietname do Sul, Saigão (hoje cidade de Ho Chi Minh, em homenagem ao dirigente comunista que inspirou e inspira sucessivas gerações de vietnamitas) encontra-se cercada e progressão da operação foi fulgurante. A embaixada dos EUA é evacuada a 29 de Abril, em condições que só voltariam a ser vistas em Cabul, em 2021. A rendição incondicional do governo pró-EUA foi difundida pela rádio às 14h30h da tarde.

Cumpria-se uma longa luta de nacionalistas, revolucionários e comunistas vietnamitas pela libertação do seu país, desenvolvida desde o início do século XX, contra o colonialismo francês, os invasores japoneses e o governo neo-colonialista do Vietname do Sul, apoiado primeiro por Paris e depois por Washington.

A luta do povo vietnamita e a sua vitória tiveram um alcance histórico e estimularam a luta anticolonial, sobretudo em África, onde influenciaram particularmente os movimentos de libertação das colónias portuguesas.

Um país em desenvolvimento, económico e social

47 anos depois, o Vietname unificado é uma das mais dinâmicas economias asiáticas, assente numa economia mista socialista e orientada para o mercado. Segundo o seu PIB nominal, o Vietname é a 37.ª economia do mundo, mas encontra-se em 23.º lugar segundo a paridade do poder de compra (PPC).

Num recente relatório (14 de Abril de 2022) do Banco Mundial (BM), o Vietname é descrito como um «caso de sucesso de desenvolvimento». As reformas económicas introduzidas pelo Partido Comunista do Vietname (PCV) em 1986 (a pouco mais de uma década após o fim da guerra) ajudaram o país a deixar de ser «uma das mais pobres nações do mundo» em apenas uma geração.

Segundo BM, entre 2002 e 2021, «o PIB per capita aumentou 3,6 vezes» até atingir 3700 USD, ao mesmo tempo que a taxa de pobreza «declinava drasticamente» de 32% para 2%.

Graças aos seus «sólidos alicerces», a economia vietnamita «provou resiliência a várias crises», tendo sido dos raros países a crescer o PIB em 2020, durante a pandemia de Covid-19, e o banco prevê que cresça 5,5% em 2022.

Mas nem só de economia vive o homem. Os cuidados de saúde têm melhorado significativamente, bem como os níveis de vida. O Vietname encontra-se acima da média regional e mundial de cuidados de saúde, com 87% da população coberta. Os serviços de infraestrutura têm, segundo o relatório, «aumentado dramaticamente», com a electrificação a passar de 14% em 1993 para 99,4% em 2019, e o acesso a água potável em zonas rurais a passar de 17% em 1993 para 51% em 2020.

O país propõe-se, segundo o BM, passar de um nível de rendimento médio para um país com rendimento elevado até 2045, ao mesmo tempo que se propõe um desenvolvimento verde e inclusivo, comprometendo-se com a neutralidade carbónica em 2050

O Vietname passa o 47.º aniversário da sua reunificação com um feriado que lembra as lutas e os sacrifícios de gerações de revolucionários e combatentes, com os olhos postos no futuro.
 

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