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Venezuela repudia ingerências do Chile e da Costa Rica

Autoridades venezuelanas criticaram governos chileno e costa-riquenho por promoverem desestabilização do país, quando dirigentes da oposição aceitaram os resultados das eleições regionais. Por outro lado, alertou-se para agenda violenta que sectores da direita querem alimentar.

Jorge Arreaza criticou os governos da Costa Rica e do Chile pela ingerência nos assuntos internos do seu país
Jorge Arreaza criticou os governos da Costa Rica e do Chile pela ingerência nos assuntos internos do seu paísCréditos / chile.embajada.gob.ve

O ministro venezuelano dos Negócios Estrangeiros, Jorge Arreaza, acusou esta quinta-feira o governo do Chile de promover a desestabilização do país caribenho, depois de o seu homólogo, Heraldo Muñoz, ter recebido um grupo de advogados venezuelanos que pretendem usurpar as funções do Supremo Tribunal de Justiça (STJ).

Através da sua conta de Twitter, Arreaza criticou o governo chileno por «apoiar a ilegalidade», na medida em que «recebe advogados venezuelanos usurpadores de cargos», que foram nomeados de forma ilegítima, em Julho, pela Assembleia Nacional (AN) – órgão que se encontra em «situação de desobediência» a ordens judiciais – e que, este mês, foram nomeados como membros de um Supremo Tribunal paralelo.

A constituição deste órgão, formado por advogados foragidos à Justiça venezuelana e eleitos ilegalmente pela AN, ocorreu na semana passada na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, numa cerimónia que causou mal-estar em várias delegações presentes e em que estiveram figuras da oposição venezuelana (também foragidas à Justiça) e o secretário-geral da organização, Luis Almagro.

Neste sentido, Arreaza disse lamentar que Heraldo Muñoz «sirva como escravo da extrema-direita venezuelana e da linha supremacista de Donald Trump», ao receber no aeroporto internacional Arturo Merino Benítez, em Santiago do Chile, quatro dos cinco advogados que pediram asilo político ao governo do Chile, depois de terem aceitado a sua nomeação fraudulenta. Já tinham estado asilados na Embaixada do Chile em Caracas, fugindo depois para a Colômbia.

«Insolência» da Costa Rica

Também ontem, na sua conta de Twitter, Jorge Arreaza manifestou o seu desagrado com as declarações de responsáveis do governo da Costa Rica, no sentido de deslegitimar os resultados das eleições regionais realizadas no passado dia 15, em que a Revolução Bolivariana saiu reforçada, com a eleição em 18 governadores nos 23 estados em disputa.

Arreaza classificou como «insolente» o comunicado emitido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros costa-riquenho que caracterizou como «fraudulentas» e «viciadas» as eleições venezuelanas, seguidas de perto em todas as fases pelas forças políticas participantes e por observadores internacionais, indica a AVN.

Arreaza salientou que «nenhum governo do mundo tem autoridade para reconhecer ou deixar de reconhecer instituições soberanas venezuelanas surgidas da vontade popular» e lamentou a «vergonhosa submissão» do país centro-americano, «ao prestar-se como instrumento da administração norte-americana para atacar a democracia» na Venezuela.

Alertas para agenda violenta da direita

Nos últimos dias, vários dirigentes da oposição de direita reconheceram a derrota nas eleições de 15 de Outubro. Um deles foi Jesús Torrealba, ex-secretário da chamada Mesa da Unidade Democrática, que na quarta-feira admitiu o fracasso da oposição e afirmou não ser correcto «ir agora falar numa mega fraude», refere a TeleSur.

No entanto, há sectores da direita que não alinham pela mesma bitola e, ontem, o presidente do Conselho Legislativo de Táchira, Omar Hernández, chamava a atenção para isso mesmo, afirmando que dirigentes da direita venezuelana como Freddy Guevara e Julio Borges alimentam uma estratégia de violência.

De acordo com Hernández, esses sectores pretendem «gerar violência e confrontação» no país, recorrendo «a mentiras e enganos», e procurando que os governadores eleitos pela oposição – nos estados de Táchira, Mérida, Anzoátegui, Nueva Esparta e Zulia – se recusem a comparecer na Assembleia Nacional Constituinte para tomar posse, não reconhecendo esta instituição, informa a Prensa Latina.

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