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Venezuela liga Rubio e Guaidó a sabotagem contra sistema eléctrico nacional

O governo venezuelano está a reforçar a protecção ao sistema eléctrico nacional, face às agressões de que foi alvo para «gerar o caos e a desestabilização», disse o ministro da Defesa, Padrino López.

O senador norte-americano Marco Rubio em Cúcuta (Colômbia), poucos dias antes da operação de 23 de Fevereiro, para fazer entrar «ajuda humanitária» na Venezuela
O senador norte-americano Marco Rubio em Cúcuta (Colômbia), poucos dias antes da operação de 23 de Fevereiro, para fazer entrar «ajuda humanitária» na Venezuela CréditosL. Gonzales / DW

Na sequência do ataque cibernético perpetrado na quinta-feira contra o sistema automatizado de controlo da central hidroeléctrica de El Guri, no estado de Bolívar, Vlamidir Padrino López disse que a Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) irá acompanhar o «plano especial de protecção à rede eléctrica nacional».

Cerca de 80% do território venezuelano foi afectado no abastecimento de electricidade por um período aproximado de 24 horas, na sequência de uma acção «preparada para desestabilizar o executivo bolivariano, mas que atingiu todos de igual forma, sem diferenças políticas», segundo referiu o ministro da Defesa, citado pela Prensa Latina.

Padrino sublinhou que, em virtude desta contigência, «foram activados – por ordem do presidente da República, Nicolás Maduro – todos os organismos de segurança e o sistema de defesa integral e de gestão de riscos do país, para proteger e apoiar o povo em todo o território».

Ao longo desta sexta-feira, as autoridades foram restabelecendo o serviço eléctrico numa boa parte das regiões afectadas, após o ataque de quinta-feira à segunda maior central hidroeléctrica da América Latina e a quarta maior do mundo.

Rubio, Pompeo e Guaidó cúmplices da acção de sabotagem

O vice-presidente da Comunicação, Cultura e Turismo, Jorge Rodríguez, informou que a Venezuela irá denunciar este acto de agressão junto da alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, e de outras instâncias internacionais.

Numa conferência de imprensa a que Prensa Latina e TeleSur fazem referência, Rodríguez apontou como cúmplices do atentado o senador norte-americano Marco Rubio, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, e o opositor golpista Juan Guaidó, fantoche de Washington e seus aliados, que o reconhecem como «presidente interino» da Venezuela.

Referindo-se a um tweet publicado por Marco Rubio menos de três minutos após a acção de sabotagem, Jorge Rodríguez disse que o senador da Florida «tem o dom da adivinhação» e que «devia explicar ao mundo como soube que o sistema de controlo automatizado de apoio da central hidroeléctrica de Guri tinha falhado», num momento em que «ninguém o sabia». Trata-se de uma «verdadeira confissão de um crime», sublinhou Rodríguez.

Se, para o governante venezuelano, esse tweet é «bastante revelador», não menos o é, em termos de envolvimento, o que o golpista Guaidó publicou também no dia 7, afirmando que «para a Venezuela é claro que a luz chega com o fim da usurpação» [em alusão a Nicolás Maduro].

Rodríguez, que agradeceu a calma e o civismo dos venezuelanos perante aquilo que qualificou como «a agressão mais brutal a que o povo da Venezuela foi sujeito em 200 anos», considerou uma violação do direito internacional as afirmações proferidas pelo secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, de acordo com as quais iriam manter o apagão na Venezuela até que o presidente da República, Nicolás Maduro, abandonasse o poder.

No Twitter, Pompeo escreveu: «Não há comida. Não há medicamentos. Agora, não há luz. A seguir, não haverá Maduro.»

«Notícias falsas»

«Aqueles que estão por detrás da sabotagem não têm qualquer consideração pelos 30 milhões de venezuelanos, não querem saber dos pacientes nos hospitais, nem das crianças», lamentou o também ministro da Comunicação, que desmentiu como «falsas» as notícias sobre perdas de vidas humanas por causa do ataque à central hidroeléctrica.

Tal não se verificou porque – disse – o presidente Maduro tinha decretado que fossem instalados geradores em todos os hospitais, precisamente para fazer frente a casos desta natureza. Além disso, foram tomadas outras medidas de emergência.

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