América, obra de Elena Ospina, valeu à criadora colombiana o primeiro lugar no evento internacional, o mais importante do género que tem lugar em Cuba. No entender do júri, a composição ilustra como as ambições geopolíticas são capazes de romper acordos internacionais e direitos inalienáveis, transformando uma zona de paz num território de guerra.
Em segundo lugar ficou a peça Variación, do artista visual chinês Kuang Zuhai, a quem os membros do júri reconheceram a «boa técnica de desenho» e o engenho expressivo na forma de jogar com as palavras ‘símile’ e ‘míssil’.
Por seu lado, o terceiro posto foi para o caricaturista venezuelano Iván Lira, que, com a obra Enredos, analisa o domínio das tecnologias digitais na sociedade contemporânea.
«A soberania da imagem é nossa; o engenho visual mostrou ser uma arma hipersónica que a antiquada propaganda industrial dos grandes meios ocidentais já não pode travar», afirmou Lira numa mensagem enviada aos organizadores do evento.
A menção especial do certame foi para o artista Seyran Caferli, do Azerbaijão, pela forma irónica como a sua obra, sem título, aborda o abuso do poder nas dinâmicas sociais actuais.
Humor gráfico, essencial à resistência de Cuba
Na abertura da bienal, que teve lugar esta terça-feira na Galeria 23 y 12, em Havana, o intelectual cubano Abel Prieto, presidente da Casa das Américas, destacou que o humor gráfico é essencial à resistência histórica do país caribenho.
Prieto declarou que a sede principal do evento é mais uma trincheira das ideias na defesa da emancipação, e denunciou a campanha de idiotização massiva de milhões de pessoas em todo o mundo, refere a TeleSur.
A mostra principal é integrada por 61 peças de 24 países, na sequência do «rigoroso processo de selecção» a que foram submetidas as 359 obras de 38 países que se apresentaram ao evento.
Coube a Adán Iglesias, caricaturista do jornal Juventud Rebelde e presidente do júri, revelar o nome dos galardoados, na companhia do também artista visual Ismael Lema, director da editora de humor gráfico Palante.
Completaram o júri o mexicano Víctor Vélez Chubasco, o belga Luc Descheemaeker, vencedor da primeira Bienal, em 2024, e a norte-americana Liza Donnelly, do periódico The New Yorker.
Afirmando-se como bastião de defesa da soberania cultural do Sul Global, a segunda edição da Bienal de Humor Político prolonga-se até ao próximo domingo em vários pontos da capital cubana.
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