São partidos e políticos de diferentes tendências e confissões religiosas, judeus e árabes, mas a justificação para proibir várias candidaturas às próximas eleições legislativas em Israel (agendadas para 27 de Outubro de 2026) aplicam-se a todos da mesma maneira: apoiam «a luta armada contra Israel e rejeitam a existência de Israel como um Estado judaico e democrático».
Numa reunião realizada esta quarta-feira pela Comissão Central de Eleições, foi aprovada a desqualificação da Lista Árabe Unida (Ra'am), um partido árabe que abandonou o movimento islâmico em Israel em Julho de 2026 e que apresentava agora, como segundo candidato, o judeu Yoav Segalovitz, ministro da Segurança Nacional em 2021/22. O Ra'am integrou os governos de figuras como Naftali Bennett; da Lista Conjunta, a coligação de quatro partidos de esquerda e árabes (incluindo o Hadash, que inclui o Partido Comunista de Israel, o Maki) e de dois dos seus candidatos: o líder do partido Balad, Sami Abu Shehadeh, e o deputado Ofer Cassif, judeu e dirigente do Maki.
A moção para proibir a candidatura de Abu Shehadeh foi promovida pelo partido de extrema-direita Otzma Yehudit, liderado pelo actual ministro da Segurança Nacional Itamar Ben-Gvir. A proibição da Lista Árabe Unida foi requerida pelo Likud, partido de Benjamin Netanyahu, e pelo Otzma Yehudit, tal como aconteceu com a da candidatura da Lista Conjunta.
Os Democratas, um partido social-democrata e sionista que pertence à Internacional Socialista, apoiaram a censura ao candidato Abu Shehadeh, acusado de ter escrito um texto que descrevia o 7 de Outubro como um histórico momento político e social. Por seu turno, Cassif é acusado de ser anti-sionista e defender a libertação de Marwan Barghouti, histórico líder da Fatah, preso político desde 2002.
A última palavra cabe agora ao Supremo Tribunal de Justiça, que terá de confirmar as decisões tomadas pela Comissão Central de Eleições.
Ofer Cassif: o «fascismo» em Israel atingiu «um novo pico»
Durante a sessão, em que participou presencialmente, o deputado comunista Ofer Cassif deixou claro que o seu dever público e político «não é para com o Governo e os seus lacaios, muito menos para com a hegemonia dominante», mas sim para garantir que «os nossos filhos e filhas vivem em justiça e paz e não sejam empurrados, entre exigências de necessidade e vingança, para cometer crimes de guerra».
O objectivo principal destes pedidos de desqualificação é o de «alcançar a deslegitimação total da sociedade árabe e de uma parceria israelo-árabe, bem como perpetuar um regime totalitário e a tirania da maioria».
Contribui para uma boa ideia
Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.
O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.
Contribui aqui