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Tibisay Lucena: «O sistema eleitoral venezuelano está longe de ser destruído»

Referindo-se ao incêndio que destruiu um armazém do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) venezuelano em Caracas, a presidente do organismo afirmou este domingo que as autoridades lidam com várias hipóteses.

O incêndio deste sábado num armazém do Conselho Nacional Eleitoral venezuelano destruiu 49 mil máquinas de votação
O incêndio deste sábado num armazém do Conselho Nacional Eleitoral venezuelano destruiu 49 mil máquinas de votação Créditos / conelmazodando.com.ve

Numa conferência de imprensa que ontem deu na sede do CNE, Tibisay Lucena anunciou que o Ministério Público já apontou dois magistrados como responsáveis pela investigação do incêndio que, no sábado, praticamente destruiu um armazém com material eleitoral em Filas de Mariches, no munícipio de Sucre (estado de Miranda), na Grande Caracas.

A funcionária afirmou que as autoridades lidam com diversas hipóteses quanto à origem do incêndio, que se propagou muito rapidamente e que queimou mais de 500 computadores, 49 mil máquinas de votação e inúmero material diverso associado aos actos eleitorais.

Apesar disso, a presidente do CNE da Venezuela garantiu que o «sistema de votação do país está longe de ser destruído», tendo sublinhado que o organismo irá assegurar a realização das eleições previstas.

«Foi pouco o que se conseguiu resgatar», disse Lucena, que insistiu na capacidade da entidade a que preside para manter a agenda eleitoral do país sul-americano. «Se há grupúsculos a pensar que com isto vão travar os processos eleitorais, estão enganados», frisou, citada pela TeleSur.

Tibisay Lucena afirmou ainda que as autoridades já estão a investigar as causas do incêndio e a recolher provas. «O CNE quer saber a verdade. Qual foi a origem do fogo e por que se propagou tão rapidamente. Nenhuma hipótese foi posta de lado; deixemos que sejam os relatórios a determinar as causas do fogo», disse.

A presidente do CNE referiu que não é a primeira vez que isto acontece, lembrando que, em 2017, o órgão eleitoral sofreu um sinistro parecido, no âmbito das eleições para a Assembleia Nacional Constituinte, em que foram queimadas máquinas de votação e agredidos trabalhadores.

Este incêndio ocorre no ano em que são eleitos os novos deputados da Assembleia Nacional venezuelana e num contexto em que a extrema-direita, apoiada por Washington, ameaça gerar focos de violência e de desestabilização no país caribenho.

«Washington tem medo das eleições»

«A administração norte-americana está a dizer que teme o povo da Venezuela e as eleições democráticas», denunciou Delcy Rodríguez, vice-presidente da Venezuela, em declarações proferidas a propósito do incêndio num armazém do CNE, no final da manifestação do Dia Internacional da Mulher que ontem teve lugar em Caracas.

Tendo em conta dados preliminares que apontam para uma acção de sabotagem, Rodríguez sublinhou que «o povo venezuelano está comprometido com a democracia» e insistiu que Washington – que meteu na Venezuela «um títere», em referência ao autoproclamado Juan Guaidó – «tem medo das eleições», informa a Prensa Latina.

«Embora levem a cabo acções de sabotagem na Venezuela, haverá eleições. Eles sabem o que os espera», disse.

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