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No futebol são 11 contra 11 e no final... ganhou a ingerência política

Folarin Balogun, avançado da selecção dos Estados Unidos, viu um cartão vermelho no jogo frente à Bósnia no jogo dos 16 avos de final do Mundial. O esperado seria o jogador cumprir um jogo de castigo, no entanto, Trump ligou à FIFA e esta retirou a sanção ao jogador.

Já se sabia que a relação entre a FIFA e Donald Trump era tudo menos estranha e para isso basta recordar quando o presidente dos EUA foi agraciado com o FIFA Peace Prize – Football Unites the World, um prémio criado especificamente para agradar o responsável pela intensificação da guerra no mundo.

O Mundial de futebol em solo americano tem estado recheado de polémicas e, consequentemente, críticas, dados os episódios que se multiplicam fora de campo. A título de exemplo, a comitiva iraniana viu os vistos da sua equipa técnica revogados e tem sido obrigada a fazer deslocações para o México com os seus jogos a decorrerem nos EUA.

Se fora das quatro linhas a política está a influenciar negativamente algumas equipas, o que agora aconteceu é já uma ingerência directa no decorrer do jogo jogado. Folarin Balogun, avançado da selecção dos Estados Unidos, viu um cartão vermelho no jogo frente à Bósnia no jogo dos 16 avos de final. Como seria de esperar, o jogador iria ser suspenso no jogo seguinte, porém, um telefonema de Trump alterou tudo.

No domingo, a FIFA anunciou que anulou a suspensão do jogador que, desta forma, permitia que Balogun fosse a jogo contra a Bélgica. A decisão surge porque Donald Trump usou a sua influência política e telefonou directamente ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, para pedir a reversão da suspensão.

Ao The Athletic, a Casa Branca confirmou que houve uma chamada entre Trump e Infantino na semana passada, mas sem especificar o tema. Já a FIFA permanece em silêncio e ainda não explicou a clara intromissão que houve na verdade desportiva.

Quem reagiu de imediato foi a federação belga que, em comunicado, disse estar «perplexa com a decisão» da FIFA. Também a União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) e afirmou que a instituição dirigida por Infantino «ultrapassou-se uma linha vermelha». A mesma defende que o futebol, «como qualquer outro desporto, assenta em regras» que, por vezes, podem estar sujeitas a interpretação. «Neste caso, não», vincou num comunicado oficial.

Quem também veio a público condenar a anulação da suspensão do avançado norte-americano foi o insuspeito ex-presidente da FIFA, Joseph Blatter. Numa publicação no Twitter, o antigo dirigente escreveu: «Os cartões vermelhos não podem ser anulados por ligações políticas. Podem ser anulados por regras, provas e órgãos independentes. Se um presidente dos Estados Unidos intervém junto do presidente da FIFA — e um jogador é repentinamente absolvido antes de uma partida eliminatória do Mundial —, a pergunta é inevitável: Quo vadis, FIFA?».

Enquanto o mundo do futebol assiste em choque ao que vai acontecendo, o restante mundo olha já com uma estranha normalidade para o sucedido, não se tratasse de mais um capítulo de uma postura de «quero, posso e mando» de Donald Trump. 
 

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