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Sauditas prosseguem campanha de bombardeamentos e massacre no Iémen

Pelo menos 4 civis foram mortos e 11 ficaram feridos na província de Hajjah (Noroeste do Iémen), na sequência de ataques da aviação saudita.

Crianças numa zona bombardeada no Iémen
Crianças numa zona bombardeada no Iémen (imagem de arquivo) Créditos / Sputnik News

Caças sauditas levaram a cabo um ataque, na segunda-feira à tarde, contra uma viatura que seguia no distrito de Mustaba, provocando a morte a pelo menos quatro pessoas e deixando feridas 11, revela a PressTV, tendo por base os dados fornecidos por fontes locais à cadeia de TV em língua árabe al-Masirah.

Em Março de 2015, a Arábia Saudita, liderando uma aliança que incluía países como os Emirados Árabes Unidos, o Egipto e o Sudão, lançou uma grande ofensiva militar contra o mais pobre dos países árabes, declarando serem seus objectivos esmagar a resistência do movimento popular Ansarullah e recolocar no poder o antigo presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi, aliado de Riade.

Para justificar a campanha de bombardeamentos em curso, os sauditas alegam que os seus alvos são os combatentes do movimento Ansarullah, tal como o fizeram na quinta-feira da semana passada, através do canal Al Arabiya. No entanto, nesse dia os caças da coligação liderada pelos sauditas atacaram tanto alvos militares como civis em Saná, a capital do Iémen, provocando a morte a pelo menos seis pessoas – quatro das quais crianças – e deixando mais quatro dezenas de feridos.

Ao logo da guerra de agressão contra o Iémen, o ataque a zonas residenciais e infra-estruturas civis tem sido uma constante. Hospitais, escolas, fábricas, sistemas de captação de água e centrais eléctricas foram destruídas, e tanto casamentos como cerimónias fúnebres foram alvo de ataque dos caças da coligação saudita.

Armamento ocidental tem alimentado «uma das piores crises humanitárias»

França, Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Bélgica, Espanha, Finlândia são alguns dos países ocidentais que têm sido criticados pela venda de armas à Arábia Saudita e aos Emirados Árabes Unidos, cuja guerra de agressão contra o Iémen provocou aquilo que as Nações Unidas classificaram como «uma das piores crises humanitárias do mundo». O mesmo organismo afirma que o país árabe sofre a pior fome do mundo em cem anos.

De acordo com um relatório das ONU publicado em Dezembro de 2018, mais de 24 milhões de iemenitas necessitam de ajuda humanitária urgente, incluindo dez milhões que são «severamente afectados pela fome».

Segundo estimativas recentes da ACLED (Armed Conflict Location & Event Data), a guerra de agressão provocou mais de 60 mil mortos no Iémen desde Janeiro de 2016.

Protesto em Génova contra guerra no Iémen

Trabalhadores do Porto de Génova (Norte de Itália) fizeram uma greve, esta segunda-feira, em protesto contra a presença, nas instalações portuárias, de um navio saudita carregado com armamento.

Faixa no Porto de Génova com a inscrição «Portos fechados à guerra, portos abertos aos imigrantes» Créditos

O Bahri-Yanbu já tinha sido impedido de carregar armamento no porto francês de Le Havre, graças a uma acção de protesto de grupos humanitários, revela a Euronews, acrescentando que as armas que o navio tem a bordo foram carregadas no Porto de Antuérpia, na Bélgica.

Em Génova, os sindicatos tentaram impedir que o navio acostasse, mas tal não veio a acontecer e, na segunda-feira de manhã, o navio foi recebido com os protestos de trabalhadores e defensores dos direitos humanos.

Os trabalhadores portuários recusaram-se a carregar geradores eléctricos «num navio saudita que leva armamento» e os sindicatos declararam que «não serão cúmplices com aquilo que se está a passar no Iémen».

De acordo com dirigentes sindicais e defensores dos direitos humanos, o armamento a bordo do Bahri-Yanbu viola o Tratado das Nações Unidas, uma vez que existe o risco de ser utilizado contra civis iemenitas.

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