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Caças sauditas bombardeiam festa de casamento no Iémen

Um casamento em Al-Raqqah foi um alvo para a aviação saudita. Há dezenas de vítimas registadas. Numa entrevista, o líder da diplomacia iraniana defendeu que a solução para o conflito é política.

Destroços de um edifício bombardeado pelos sauditas na capital do Iémen, Saná, em Outubro de 2016. Estima-se que 140 pessoas tenham morrido e perto de 600 tenham ficado feridas
Destroços de um edifício bombardeado pelos sauditas na capital do Iémen, Saná, em Outubro de 2016. Estima-se que 140 pessoas tenham morrido e perto de 600 tenham ficado feridas Créditos / The Independent

De acordo com a agência Saba, que refere fontes médicas, a agressão saudita, perpetrada ontem à noite na aldeia de Al-Raqqah, na província de Hajjah (Noroeste do Iémen), provocou a morte a 33 civis e deixou feridos 55.

A mesma fonte indicou que 46 dos feridos foram levados para o Hospital Republicano, em Hajjah, capital da província homónima. Em virtude do grande afluxo de pacientes, o centro hospitalar declarou o estado de emergência e pediu às pessoas que dessem sangue.

Nos três anos da intensa campanha militar que a Arábia Saudita, apoiada pelos EUA e o Reino Unido, lidera contra o seu vizinho do sul na Península Arábica, não é primeira vez que vêm a público notícias de massacres contra a população civil cometidos pelos seus caças.

A guerra de agressão já provocou mais de 10 mil mortos no Iémen, destruiu uma parte significativa das suas infra-estruturas e está na origem de uma situação humanitária que as Nações Unidas classificam como «catastrófica».

No entanto, os sauditas não conseguiram atingir as metas que declararam querer alcançar: esmagar a resistência do movimento popular Ansarullah e recolocar no poder o antigo presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi, aliado de Riade.

Sauditas vão fracassar, solução é política

Numa entrevista concedida ao portal norte-americano Al-Monitor, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Mohammad Javad Zarif, defendeu que a Arábia Saudita vai falhar no Iémen tal como falhou na Síria, apesar do «belo equipamento militar que compra aos Estados Unidos» e a outras potências ocidentais.

Para o chefe da diplomacia iraniana, é um erro prosseguir com a política de agressão militar, em vez de avançar para as negociações. «Parece-me que os sauditas mantêm no Iémen a mesma ilusão que tinham na Síria, a de que podem alcançar uma vitória militar», disse, acrescentando que «a guerra se arrastou por isso».

Para Mohammad Javad Zarif, a solução para este conflito é política e, «quanto mais cedo os sauditas perceberem isso, mais cedo podemos sair deste pesadelo no Iémen», salientou.

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