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Roger Waters alvo de censura na Polónia

A censura avança nos que se dizem tolerantes e defensores do mundo livre. Roger Waters, histórico co-fundador dos Pink Floyd e artista que não se deixa calar, viu os seus dois concertos cancelados na Polónia. Depois da comunicação social é a vez dos artistas que têm opiniões opostas ao que é imposto.

Créditosfacebook / Roger Waters

Parece uma reedição do que se assistiu recentemente em Portugal relativamente aos artistas que foram à última edição da Festa do Avante!. Há, no entanto, diferenças claras. Enquanto que em Portugal foi montado um cerco midiático em volta dos artistas que, ou apelaram à paz, ou simplesmente iriam actuar, na Polónia passaram aos actos efectivos e cancelaram os dois espectáculos que Roger Waters iria realizar no âmbito da sua tournée. 

Os concertos iriam realizar-se em Cracóvia mas ao que parece as entidades polacas não ficaram muito satisfeitas ao saber o que pensa Waters da actual guerra no Leste Europeu. Face ao apelo ao fim do conflito e a sua resolução pacífica, os quais Roger Waters diz que não acontece pela acção incendiária de Joe Biden e os EUA cujos esforço têm ido no sentido militarista, um dos autarcas da cidade, Lukasz Wantuch, pediu uma reunião para classificar o artista de «persona non grata». 

No mesmo sentido estão também os deputados do partido de extrema-deireita polaco Lei e Justiça (PiS), que no quadro do Parlamanto Europeu estão na mesma família que os Irmãos de Itália, o Vox ou o Partido dos Democratas Suecos, e pedem numa proposta de resolução, que será votada na quarta-feira, que também se declare «persona non grata» todos aqueles que supostamente apoiarem publicamente o Kremlin.

No espaço de poucas horas e até porque as primeiras notícias indicavam que tinha sido o Roger Waters a cancelar os concertos, o artista já reagiu em comunicado na rede social facebook. No comunicado intitulado «HEY! ŁUKASZ WANTUCH, "LEAVE THEM KIDS ALONE!"», o artista começa por dirigir-se a dois jornalistas do Gazeta Krakowska esclarecendo que não foi ele a cancelar os concertos e confirma as intenções do deputado em questão dizendo também que não conhece o seu trabalho em prol dos direitos humanos e que tal censura só acontece uma vez que está a apelar a todos os envolvidos «especialmente a Rússia e os EUA» a trabalharem no sentido de uma paz negociada. 

Roger Waters lamenta ainda a perda dolorosa da não realização dos dois concertos porque queria partilhar a sua «mensagem de amor» com o povo poláco. O comunicado termina dizendo a «censura draconiana» promovida pelo autarca Lukasz Wantuch negará ao povo poloco a «oportunidade de tomar suas próprias decisões».

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