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Reino Unido: aumenta a pobreza e o recurso aos bancos alimentares

Os dados da fundação Trussell Trust apontam para o aumento exponencial da pobreza e da ajuda alimentar numa das maiores economias mundiais: quase três milhões de cabazes nos últimos 12 meses.

Créditos / Morning Star

A Trussell Trust, organização de beneficência na área da alimentação, afirma que distribuiu mais 37% de cabazes alimentares entre 1 de Abril de 2022 e 31 de Março de 2023 do que no ano anterior – 2 986 203, o que representa mais do dobro dos cabazes de ajuda distribuídos há cinco anos.

A ajuda alimentar destinada às crianças também mais do que duplicou no mesmo período, passando de menos de meio milhão de cabazes em 2017-18 para 1 139 553 em 2022-23.

Com os preços dos combustíveis e a inflação a disparar, e os salários estagnados ao longo do último ano, o periódico Morning Star destaca que os bancos alimentares se viram obrigados a abrir fora do horário para poder receber pessoas que trabalham e que cerca de 760 mil se dirigiram a um banco alimentar pela primeira vez.

A nível nacional, o País de Gales foi onde se registou um maior aumento da necessidade de cabazes alimentares de emergência (+41%), seguido de Inglaterra (+37%), Escócia (+30) e Irlanda do Norte (+29%), mas é nas regiões de Inglaterra (como o Nordeste, o Leste e o Sudoeste) que se encontram algumas variações mais dramáticas.

Brian Thomas, do South Tyneside Foodbank, na região de Newcastle, classificou esta situação como uma «panela de pressão», uma vez que aquilo que recebem não chega para acompanhar o ritmo da procura.

Alívio dos pagamentos extra é de curta duração se os rendimentos forem baixos

Emma Newbury, responsável pela investigação da fundação, notou os efeitos positivos dos pagamentos extra feitos pelo governo britânico a propósito do aumento do custo de vida.

Mas também notou que o alívio sentido pelas pessoas é temporário e de curta duração, porque esses pagamentos únicos «são incapazes de ter um impacto duradouro quando os rendimentos regulares da segurança social e do trabalho são demasiado baixos para lhes permitir pagar as despesas básicas».

Por seu lado, Emma Revie, directora executiva da Trussell Trust destacou que há muito tempo que as pessoas passam necessidades porque os apoios da segurança social não reflectem as despesas básicas da vida. «Como resultado, as pessoas são empurradas para viver com mais dificuldades», lê-se no portal da fundação.

Revie, que considera «extremamente preocupantes» os dados sobre o número crescente de pessoas que se vêem obrigadas a pedir ajuda aos bancos alimentares, defende medidas da parte do governo britânico para travar este crescimento.

O sindicato Unite, que leva a cabo a campanha Unite for a Workers' Economy contra a pobreza alimentar, considera que a indiferença do governo e a ganância das grandes empresas estão no centro do problema.

Clare Peden, da Unidos por uma Economia dos Trabalhadores, sublinha que «a alimentação não é um luxo, é um direito; no entanto, cada vez mais pessoas vivem situações de pobreza alimentar». Isto, acrescentou, «num contexto de especulação excessiva e de enormes pagamentos ao patronato».

Neste sentido, apontou a necessidade de organização dos trabalhadores e das comunidades, para exigir «algo melhor».

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