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Registadas 269 mortes durante a onda de violência golpista na Nicarágua

Num relatório divulgado esta quarta-feira, a Comissão da Verdade informa que a maioria das vítimas morreu na sequência de acções criminosas realizadas nos cortes de estradas.

A comissão mista, integrada por três elementos do governo e três da oposição, fez um apelo ao fim imediato da violência na Nicarágua
A comissão mista, integrada por três elementos do governo e três da oposição, fez um apelo ao fim imediato da violência na NicaráguaCréditos / noticiasvenezuela.org

A Comissão da Verdade, Justiça e Paz foi nomeada pela Assembleia Nacional da Nicarágua a 6 de Maio último, tendo como propósito esclarecer os factos ocorridos durante a onda de violência golpista, iniciada a 18 de Abril. Na quarta-feira, apresentou ao parlamento um relatório com dados preliminares, no qual se precisa as circunstâncias em que as mortes se deram e quais os danos causados entre Abril e Julho.

O documento indica que 269 pessoas faleceram durante a violência registada no período referido, em acções que tiveram como objectivo derrubar o governo de Daniel Ortega. Dessas, pelo menos 150 perderam a vida nos cortes de estrada impostos no país e 27 por fogo cruzado, refere a TeleSur.

Esses bloqueios «tornaram-se cenários de morte em León, Jinotepe, Masaya […]. Neles violaram-se os direitos à livre circulação para o trabalho, a recreação, a cultura, a educação; foram sinónimo de morte, tortura, vexame e ódio», lê-se no documento, citado pela Prensa Latina.

O texto desmente ainda o alegado massacre de estudantes cometido no país por forças leais a Ortega. Na sua maioria, as vítimas eram «operários» e «trabalhadores por conta própria» (62 e 62, respectivamente), desempregados (46), agricultores (16), comerciantes (11), jovens que não estavam a estudar (9), sendo que apenas oito eram estudantes universitários e seis estudantes do ensino secundário.

«Os casos de tortura e assassinato (13) foram [perpetrados] com raiva e ódio», informou também a Comissão, esclarecendo que nenhum dos visados participava em protestos: eram «funcionários do Estado, de todos os níveis, ou pessoas ligadas politicamente à Frente Sandinista de Libertação Nacional [FSLN]».

Quanto a feridos, o relatório registou 2035 casos (na faixa etária dos 16 aos 25 anos), sendo que o último caso relacionado com a onda de violência ocorreu a 28 de Agosto, segundo se regista no documento.

A Comissão destaca a boa resposta do sistema de saúde pública, que funcionou sem quaisquer restrições durante a «crise» sociopolítica, uma vez que tanto o Ministério da Saúde como a Cruz Vermelha deram ordens expressas para acolher qualquer pessoa que se dirigisse aos seus centros de atendimento – circunstâncias que, revela a TeleSur, foram verificadas por centenas de pessoas.

«Durante este período, manteve-se uma guerra psicológica com a intenção de derrubar o governo constitucional eleito. A ausência de forças de segurança pública, por exigência da oposição, fez aumentar a delinquência», frisa o texto.

«A paz deve regressar paulatinamente e o Estado deve garantir a oportuna justiça reparadora para as vítimas do conflito», defende a Comissão, apelando à oposição para que promova um clima de justiça social e paz.

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