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«Quanto tempo mais?»: comunistas indianos denunciam ataques a minorias

Centenas de pessoas denunciaram esta quarta-feira, em Nova Déli, os casos recentes de violência no país, que evidenciam o impacto crescente da «instigação do ódio por forças de direita».

Militantes comunistas concentraram-se em Nova Déli para repudiar a violência sectária crescente no país, que, segundo o PCI-M, é alimentada pelo partido de Modi para daí retirar dividendos eleitorais 
Militantes comunistas concentraram-se em Nova Déli para repudiar a violência sectária crescente no país, que, segundo o PCI-M, é alimentada pelo partido de Modi para daí retirar dividendos eleitorais Créditos / Newsclick

Na concentração, convocada pelo Partido Comunista da Índia (Marxista) (PCI-M), participaram membros do Comité Central e dirigentes da organização estadual de Déli, bem como estudantes, professores, juristas, entre outros, que exigiram o respeito pelos «direitos constitucionais» dos grupos minoritários no país.

Os comunistas acusam o Bharatiya Janata Party (BJP), no poder, de alimentar a «política do ódio» e de permitir a acumulação de tensões religiosas na Índia, para daí retirar «dividendos eleitorais».

Defendem – noticia o portal Newsclick – que é necessário um «esforço consistente» para responder ao BJP e «ao seu mentor ideológico Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS)», organização nacionalista hindu, de extrema-direita.

O número de casos de violência que atentam contra os «direitos constitucionais» de grupos minoritários tem vindo a aumentar na Índia, afirmou Brinda Karat, dirigente do PCI-M.

«Há um esforço concertado para demonizar, mesmo culturalmente, os grupos minoritários no país... Temos falado em salvar a Constituição [indiana]. A mensagem da mobilização de hoje é precisamente que, se a Constituição deve ser salva, as pessoas devem manifestar-se para proteger os direitos das minorias primeiro», disse Karat ao NewsClick.

Outra figura destacada do PCI-M presente em Déli foi Prakash Karat, que se dirigiu aos manifestantes afirmando que o partido irá organizar mobilizações deste tipo pelo país fora.

Os comunistas indianos afirmam que, se as pessoas querem salvar a Constituição, têm de se mobilizar / Newsclick

«As políticas do ódio têm de ser travadas imediatamente»

Entre as minorias especialmente visadas pela violência da extrema-direita figuram os muçulmanos e cristãos. Em Agosto, um vendedor de braceletes muçulmano foi brutalmente espancado por uma multidão. Em Gurugram, no estado de Haryana, a tensão elevada dura há mais de um mês, com os muçulmanos que oram em público a serem interrompidos por grupos hindus de direita.

Tripura foi o último dos estados governados pelo BJP a tornar-se o foco de tensões religiosas, depois de grupos hindus fundamentalistas terem atacado mesquitas e lojas de muçulmanos.

Igualmente a aumentar tem estado a violência sectária, por parte de grupos extremistas, contra comunidades cristãs. Em Outubro, refere a fonte, um relatório emitido por várias entidades da sociedade civil apontava para mais de 300 incidentes do tipo registados este ano, com o estado de Uttar Pradesh, o mais populoso da Índia, à cabeça.

O caso mais recente ocorreu este domingo em Nova Déli, onde um barracão transformado em igreja foi alegadamente vandalizado por membros da organização nacionalista hindu Bajrang Dal.

Hannan Mollah, membro do Comité Central do PCI-M e dirigente da All India Kisan Sabha (AIKS), a frente camponesa do partido, disse ao Newsclick que a luta dos agricultores na Índia teve um papel determinante na «criação de uma linguagem» para lutar contra as «tendências sectárias» que se reflectem nas «políticas adoptadas pelo BJP-RSS».

Entre os manifestantes, esta quarta-feira, contavam-se habitantes dos bairros do Nordeste de Déli, cujas vidas foram devastadas pelos distúrbios do ano passado. Namra, de 23 anos e cuja propriedade foi atacada em Shiv Vihar, disse que muita gente, ali, ainda não recuperou das perdas sofridas nos ataques de 2020.

«Quanto tempo mais vão continuar estas políticas de ódio? Têm de ser travadas imediatamente», sublinhou.

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