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Pobreza extrema cresceu quase 50% no Brasil em 2021

Dados divulgados esta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, por comparação com o ano anterior, há mais 5,8 milhões de pessoas em situação de miséria.

Créditos / Agência Brasil / IBGE

O número de pessoas que vivem em situação de pobreza extrema aumentou 48,2% em 2021 relativamente ao ano anterior. Isto significa que 5,8 milhões de pessoas passaram a viver com um rendimento mensal per capita até 168 reais (30,6 euros) por mês.

Os dados do IBGE, divulgados ontem, mostram ainda que o número de pessoas a viver abaixo do limiar da pobreza aumentou 22,7% no mesmo período, isto é, mais 11,6 milhões de brasileiros passaram a viver com 486 reais (88,5 euros) mensais per capita.

Com este crescimento, o Brasil passou a ter 62,5 milhões de pessoas (29,4% da população) abaixo do limiar da pobreza, dos quais 17,9 milhões são extremamente pobres. Ou seja, de acordo com os dados agora revelados pelo IBGE, aproximadamente um em cada três brasileiros é pobre e 8,4% extremamente pobre.

Ambos os aumentos registados foram recordes, segundo o IBGE, uma vez que, desde 2012, o país sul-americano nunca tinha conhecido um avanço tão grande da pobreza e, sobretudo, da pobreza extrema.

Os dados do IBGE mostram igualmente que a pobreza atinge de forma desproporcional crianças e jovens: 46,2% das crianças até 14 anos viviam abaixo do limiar da pobreza em 2021, recorde da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012; entre os jovens de 15 a 29 anos, a percentagem era de 33,2%, o triplo dos idosos (10,4%).

Outro elemento apontado é que a proporção de negros abaixo do limiar da pobreza foi de 37,7%, mais do dobro da de brancos (18,6%).

«A recuperação do mercado de trabalho em 2021 não foi suficiente para reverter as perdas de 2020. Isso e a redução dos valores do Auxílio Emergencial podem ajudar a explicar esse resultado», disse André Simões, analista da pesquisa, ao Brasil de Fato.

A nível regional, Nordeste (48,7%) e Norte (44,9%) apresentavam as maiores percentagens de pessoas pobres na sua população. Essa percentagem cai para 20,6% no Sudeste e no Centro-Oeste, e 14,2% no Sul.

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