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Paramilitares oferecem recompensas pelo assassinato de líderes indígenas colombianos

A Organização Nacional Indígena da Colômbia (ONIC) denunciou esta quarta-feira o aparecimento de panfletos no Cauca, firmados por um grupo paramilitar, com ameaças a líderes das comunidades indígenas.

Paramilitares colombianos continuam a ameaçar líderes sociais e indígenas na Colômbia
Paramilitares colombianos continuam a ameaçar líderes sociais e indígenas na Colômbia Créditos / Contagio Radio

No panfleto, datado de 18 de Dezembro e assinado pelo grupo paramilitar conhecido como Águilas Negras, oferecem-se determinadas quantias pelo assassinato de indígenas que desempenham funções nos «cabildos» – entidades públicas integradas por elementos eleitos por uma comunidade indígena. Os valores oferecidos pelos paramilitares variam consoante os cargos ocupados na organização.

O texto apresenta ainda o nome de diversas autoridades indígenas, que responsabiliza pela situação de conflito que se vive na região Norte do departamento do Cauca, e, como ameaça, refere que os aludidos «também têm um bom preço».

Aida Quilcue, membro da Comissão de Direitos Humanos da ONIC, disse à Contagio Radio que este panfleto veio a público «horas depois de uma audiência pública dos povos indígenas», na qual estes reafirmaram o «controlo sobre as suas terras no departamento do Cauca», na sequência do assassinato do dirigente Edwuin Dagua.

«Declaram-nos guerra e põem um preço aos nossos dirigentes»

Sobre o assassinato de Dagua, Aida Quilcue referiu que foi cometido a dois quilómetros de um local onde fica um controlo militar. A este propósito, disse não entender como, com a presença de militares no departamento do Cauca, continua a aumentar o número de assassinatos de dirigentes sociais, bem como a presença de estruturas paramilitares.

«Quando ocorrem estes assassinatos, e aparecem os panfletos, ficamos com dúvidas sobre o que estão a fazer as forças públicas de segurança», disse. Neste sentido, acrescentou, o movimento indígena considera que as forças de segurança do Estado «não são uma garantia». É que, «nas últimas décadas, andam-nos a matar à frente dos militares», denunciou Quilcue.

O departamento do Cauca é, juntamente com o de Antioquia, um dos mais visados pelo assassinato selectivo de dirigentes sociais, de indígenas e de defensores dos direitos humanos. De acordo com os dados apresentados pela Marcha Patriótica, a Cimeira Agrária, Étnica e Popular e o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz (Indepaz) no relatório «Todos os Nomes – Todos os Rostos», em 2016 – ano da assinatura dos acordos de paz – foram assassinados na Colômbia 116 «líderes sociais e defensores dos direitos humanos» e, em 2017, 191.

Entre 1 de Janeiro e 17 de Novembro de 2018, foram assassinados 226, informa o relatório. Ou seja, em quase três anos foram assassinados 533 dirigentes sociais e defensores dos direitos humanos na Colômbia.

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