O anúncio de uma jornada de luta para 8 de Outubro foi realizado este sábado, durante uma Assembleia Nacional Unitária de colectivos populares realizada em Quito.
José Villavicencio, presidente da União Geral dos Trabalhadores do Equador (UGTE), explicou que a reunião tinha como ponto de partida a criação de uma plataforma unitária com vista a «enfrentar aquilo que se está a passar no Equador», refere o portal expreso.ec.
Disse também que o protesto tem como objectivo defender os direitos humanos, a democracia e a participação dos cidadãos, tendo questionado as políticas do actual governo em matéria de saúde e de direitos laborais.
Mais de 60% dos trabalhadores estão em condições de precariedade laboral e cerca de 600 mil jovens não estudam nem trabalham, afirmou o dirigente sindical, que se referiu também às despesas das famílias com a saúde, devido à «crise» do sistema público.
Neste sentido, frisou a importância da acção nacional convocada para o próximo dia 8 de Outubro. «É preciso ultrapassar este governo nas ruas e nas urnas», afirmou.
Defesa da saúde, da educação e do trabalho digno
Por seu lado, o presidente da União Nacional de Educadores, Andrés Quishpe, declarou o seu apoio à convocatória, precisando que as mobilizações terão lugar em defesa da educação, da saúde e da segurança, bem como do trabalho digno e dos recursos naturais.
Quishpe falou ainda na defesa dos direitos e liberdades, tendo exortado o governo de Noboa a travar aquilo que designou como «criminalização de dirigentes sociais» e manifestado a sua solidariedade a jornalistas, médicos, mulheres e outras camadas da sociedade perseguidas depois de questionarem o executivo, indica a Prensa Latina.
A jornada nacional de luta também abrange reivindicações relacionadas com a segurança social e a defesa do campo petrolífero Sacha – o mais produtivo do país sul-americano e que poderá ser concessionado –, bem como críticas à gestão que o governo perante a falta de electricidade e a ameaça de novos apagões.
Quishpe repudiou ainda a estratégia de segurança do executivo, no âmbito do chamado conflito armado interno e da militarização do país, que, em seu entender, não resolveram os problemas que as populações enfrentam.
Apelo a uma grande jornada de mobilização
Os dirigentes presentes apelaram à participação do movimento indígena, de organizações de camponeses, de jovens, trabalhadores e outros sectores nas mobilizações, que terão lugar em várias cidades do país.
Edwin Bedoya, presidente da Frente Unitária dos Trabalhadores (FUT), recordou que a jornada de luta se realiza na véspera do feriado nacional de 9 de Outubro, relacionado com a comemoração da Independência de Guayaquil, e explicou que, se o governo prolongar o feriado, as organizações sindicais, sociais e populares irão ponderar uma mudança de data.
Na sua intervenção, Bedoya também questionou as políticas governamentais e a perseguição a organizações e dirigentes nos processos políticos do país.
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