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A 107 anos do início da Revolução Mexicana

No México persistem «a desigualdade, a injustiça e a falta de democracia»

A desigualdade, a pobreza extrema, a concentração da terra, a falta de democracia levaram à eclosão da chamada Revolução Mexicana, a 20 de Novembro de 1910. Mais de cem anos volvidos, estas lutas permanecem vivas no país azteca.

«La revolución contra la dictadura porfiriana», obra de David Alfaro Siqueiros
«La revolución contra la dictadura porfiriana», obra de David Alfaro SiqueirosCréditos / eluniversal.com.mx

Em conversa com a TeleSur, Luis García Ruiz, historiador e investigador do Instituto de Investigações Histórico-Sociais do México, sublinhou o facto de, «ao longo dos anos, este acontecimento histórico ter sido mitificado», pensando-se que, na origem do movimento revolucionário e armado, estivesse unicamente a «desigualdade social existente no final do século XIX e início do XX».

Contribuíram igualmente para a eclosão da Revolução Mexicana factores como a «injustiça, a desigualdade, o despojo, a falta de acesso a oportunidades e a falta de democracia», defende García, que sustenta que estes problemas continuam por resolver no país.

A Constituição de 1917 consagrou grandes avanços – ao nível da distribuição da terra, da divisão do Poder, dos direitos à Educação, à greve. Mas isto viria a ser posto em causa ao longo século XX.

Os direitos dos trabalhadores foram alvo de uma grande ofensiva com a aplicação de políticas neoliberais; o sector da Educação progrediu em direcção à mercantilização; o campo foi abandonado pelo Estado e as populações foram deixadas à sua sorte; entre outros, apareceram e desenvolveram-se fenómenos como a migração, o desemprego, o empobrecimento, a insegurança, resume o historiador.

Desigualdade social e concentração da riqueza

Alicia Bárcena, secretária executiva da Comissão Económica para a América Latina e Caraíbas (Cepal), referiu à TeleSur que o México constitui um dos casos mais preocupantes no que à desigualdade social diz respeito, sendo que dois terços da riqueza estão em poder de 10% das famílias do país, e que 1% detém cerca de um terço.

«É fundamental avançar não apenas na superação da pobreza, mas também da concentração extrema da riqueza», declarou Laís Abramo, directora da Divisão de Desenvolvimento Social da Cepal.

No relatório «Desigualdade extrema no México», a Oxfam – ONG surgida no Reino Unido que luta contra a desigualdade e a pobreza em mais de 90 países –, refere que o país americano, sendo a 14.ª economia mais forte do mundo, possui 53,3 milhões de pessoas a viver em situação de pobreza e, em simultâneo, um número cada vez maior de multimilionários. De acordo com o estudo, o México encontra-se entre os 25 países com maiores índices de desigualdade social.

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