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«Nenhum lugar é seguro para as crianças no Iémen»

A directora executiva da UNICEF, Henrietta Fore, alertou para o risco que correm as vidas das crianças iemenitas, na sequência do ataque da aviação saudita em Ta'izz, que tirou a vida a 7 menores.

Crianças numa escola destruída em Ta'izz (foto de arquivo)
Crianças numa escola destruída em Ta'izz (foto de arquivo)Créditos / trtworld.com

No ataque violento perpetrado, sexta-feira passada, pela aviação da coligação saudita contra uma estação de serviço no distrito de Mawiyah, perderam a vida 12 civis, sete dos quais menores, lamentou num comunicado a responsável do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF, na sigla em inglês).

«Nenhum lugar é seguro para as crianças no Iémen», sublinhou Fore, precisando que, no ataque aéreo desta sexta-feira na província de Ta'izz, os menores falecidos tinham entre quatro e 14 anos de idade.

Com este ataque, eleva-se para 27 o número de crianças mortas e feridas nos últimos dez dias no país árabe, alertou a alta representante da UNICEF, referindo que estes números são os que as Nações Unidas conseguiram verificar e sublinhando a probabilidade de eles serem mais elevados.

A UNICEF confirmou que 7300 crianças morreram ou ficaram gravemente feridas no Iémen, desde Março de 2015. Segundo estimativas recentes da ACLED (Armed Conflict Location & Event Data), a guerra de agressão ao país árabe provocou mais de 60 mil mortos desde Janeiro de 2016.

Também a coordenadora humanitária das Nações Unidas para o Iémen, Lise Grande, denunciou, este sábado, o ataque saudita em Ta'izz, que «viola o direito internacional humanitário». Num comunicado, Grande lembrou que este é mais um ataque contra civis num curto período de nove dias, tendo o primeiro sido perpetrado por caças sauditas no passado dia 16 de Maio, na capital do país, Saná. Então, pelo menos seis civis morreram e dezenas de pessoas ficaram feridas.

Guerra de agressão gera «uma das piores crises humanitárias do mundo»

Em Março de 2015, a Arábia Saudita, liderando uma aliança que incluía países como os Emirados Árabes Unidos, o Egipto e o Sudão, lançou uma grande ofensiva militar contra o mais pobre dos países árabes, declarando serem seus objectivos esmagar a resistência do movimento popular Ansarullah e recolocar no poder o antigo presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi, aliado de Riade.

Para justificar a campanha de bombardeamentos em curso, os sauditas alegam que os seus alvos são os combatentes do movimento Ansarullah. No entanto, ao logo da guerra de agressão contra o Iémen, o ataque a zonas residenciais e infra-estruturas civis tem sido uma constante. Hospitais, escolas, fábricas, sistemas de captação de água e centrais eléctricas foram destruídas, e tanto casamentos como cerimónias fúnebres foram alvo de ataque dos caças da coligação saudita.

França, Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Bélgica, Espanha, Finlândia são alguns dos países ocidentais que têm sido criticados pela venda de armas à Arábia Saudita e aos Emirados Árabes Unidos, cuja agressão ao Iémen provocou aquilo que as Nações Unidas classificaram como «uma das piores crises humanitárias do mundo». O mesmo organismo afirma que o país árabe sofre a pior fome do mundo em cem anos.

De acordo com um relatório da ONU publicado em Dezembro de 2018, mais de 24 milhões de iemenitas necessitam de ajuda humanitária urgente, incluindo dez milhões que são «severamente afectados pela fome».

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