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Nasrallah: Biden é a imagem de «uma América na fase da velhice»

O secretário-geral do Hezbollah disse esta quarta-feira que o presidente dos EUA visita o Médio Oriente tendo como objectivo convencer os dirigentes sauditas a lançar mais petróleo no mercado mundial.

O presidente norte-americano, Joe Biden (centro), com o primeiro-ministro, Yair Lapid (direita), e presidente israelitas, Isaac Herzog (esquerda), em Telavive, a 13 de Julho de  2022 
O presidente norte-americano, Joe Biden (centro), com o primeiro-ministro, Yair Lapid (direita), e presidente israelitas, Isaac Herzog (esquerda), em Telavive, a 13 de Julho de  2022 Créditos / PressTV

«O presidente idoso dos EUA, pela sua idade e gestos, é a imagem de um país que entrou na etapa da velhice», disse o dirigente do movimento de resistência libanês, acrescentando, a propósito das «ilusões» alimentadas em torno desta viagem, que «a presença deste país diminuiu na esfera mundial, sofre uma inflação bastante alta e também não possui uma situação social e de segurança boa».

Num discurso proferido esta quarta-feira, por ocasião do 16.º aniversário do início da guerra entre o Hezbollah e Israel, Sayyed Hassan Nasrallah apontou os «verdadeiros» objectivos da viagem de Joe Biden ao Médio Oriente.

«São duas as razões que levaram Biden à região. Em primeiro lugar, veio tentar persuadir os países da zona para que produzam mais petróleo e gás, e, em segundo, [reafirmar] o seu compromisso com a segurança de Israel, pelo que se centrará na normalização [dos Estados árabes] com este [país]», disse.

«Não tem nada para oferecer ao povo palestiniano», frisou, citado pela PressTV.

Sobre a situação de conflito na Ucrânia, que se arrasta pelo menos desde 2014, Nasrallah disse que os Estados Unidos estão a travar uma guerra contra a Rússia naquele país do Leste da Europa e que arrastou consigo todos os países europeus, que começam a sofrer com isso.

«Os EUA não podem permitir que a Rússia seja vitoriosa. Hoje, o seu primeiro objectivo é garantir uma alternativa ao petróleo e ao gás russos na Europa», disse.

A importância da resistência para o Líbano

O dirigente do Hezbollah falou pela primeira vez desde que a resistência libanesa lançou drones para o campo de Karish, que Israel e o Líbano afirmam estar nas suas zonas económicas exclusivas.

Tendo em conta os meios militares que Israel enviou para o local, Nasrallah afirmou que a resistência é a única forma de o Líbano alcançar o direito ao petróleo e ao gás, sublinhando que a «capacidade da resistência não tem precedentes» e que «o espírito de luta é mais elevado que nunca».

Sobre as declarações proferidas em Junho pelo ministro israelita da Defesa, Benny Gantz, de acordo com as quais o seu país poderia lançar uma ofensiva destrutiva contra o Líbano, Nasrallah afirmou que Israel é incapaz de conduzir operações terrestres contra o vizinho a norte.

Dirigindo-se a Gantz, disse: «Você ameaça o Líbano e o seu Exército e nem sequer conseguiu avançar uns metros na Faixa de Gaza cercada.»

Para o secretário-geral do Hezbollah, tendo em conta a grave situação económica do Líbano, a extracção de gás e petróleo é uma grande oportunidade para o país.

Neste sentido, disse que, se não for permitido ao Líbano usar os recursos da área marítima em Karish, «mais ninguém o fará».

Referindo-se às promessas dos Estados Unidos de ajudar a resolver o diferendo sobre os campos de Karish, Nasrallah desconsiderou-as, na medida em que o enviado dos EUA como mediador para as negociações, Amos Hochstein, «é uma parte que trabalha em prol dos interesses de Israel e pressiona o lado libanês», acusou.

No que respeita à guerra de agressão ao Iémen, desde 2015, Hassan Nasrallah reafirmou que a coligação agressora liderada pela Arábia Saudita luta em nome dos Estados Unidos e, neste sentido, aconselhou o presidente norte-americano a pôr fim à guerra contra o Iémen e a dar aos iemenitas a possibilidade de chegarem a uma solução política.

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