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Mulheres estigmatizadas pelo abuso sexual no Teatro da Catalunha

Até 7 de Fevereiro, o Teatro Nacional da Catalunha dá voz a mulheres que foram violadas na chamada guerra dos Balcãs. Além da peça de teatro, o projecto inclui um documentário e uma exposição fotográfica.

Encara hi ha algú al bosc [Ainda há alguém na floresta]
Encara hi ha algú al bosc [Ainda há alguém na floresta] CréditosOriol Casanovas / Cultura i Conflicte

A sala pequena do Teatre Nacional de Catalunya (TNC), em Barcelona, dá voz aos testemunhos daquelas que sofrem o estigma de terem sido violadas na guerra dos Balcãs para desagregar a Jugoslávia.

De acordo com a organização Cultura i Conflicte, que realizou um amplo trabalho de investigação na Bósnia, entre 25 mil e 50 mil mulheres terão sido vítimas de abusos sexuais entre 1991 e 2001, num contexto em que a violação foi transformada em arma de guerra – como acontecera noutros conflitos e continua a acontecer, «porque destrói os povos».

Passaram mais de 20 anos sobre a guerra, mas as sequelas não se apagaram para as sobreviventes dos abusos e para os seus descendentes, e essa é uma das premissas que sustentam esta Encara hi ha algú al bosc [Ainda há alguém na floresta].

O espectáculo é da autoria de Anna Maria Ricart, conta com a direcção de Joan Arqué, e é interpretado por Ariadna Gil, Montse Esteve, Òscar Muñoz, Magda Puig, Judit Farrés, Pep Pascual e Erol Ileri.

O título dá nome a um projecto que inclui ainda um documentário – já exibido na TV3 catalã – e a uma mostra fotográfica, da autoria do fotógrafo Oriol Casanovas, que se pode visitar em La Model (Barcelona) até 30 de Janeiro, com inscrição prévia.

«Precisam de ser ouvidas»

A dramaturga Anna Maria Ricart disse à imprensa que o projecto nasceu da necessidade de explicar a história destas mulheres silenciadas pelo estigma, as que foram violadas durante a guerra, bem como dos filhos que nasceram dessas violações.

«Precisam de ser ouvidas; não querem vingança, querem que se faça justiça», disse Ricart, que deu forma teatral a uma história de ficção baseada em factos reais. «Esta obra é como uma bofetada. Faz-nos pensar que isto continua a acontecer e faz-nos reflectir sobre o modo como vivemos isto e o que fazemos a propósito», afirmou, citada pela Prensa Latina.

Uma das actrizes, Ariadna Gil, referiu-se ao medo que muitas destas mulheres têm de falar e contar os abusos que sofreram. «Apenas umas poucas mulheres corajosas se atrevem a falar; a maior parte prefere calar-se; estão estigmatizadas», disse Gil.

Depois das actuações no TNC, o grupo pretende fazer um giro pela Catalunha e levar a peça a países da ex-Jugoslávia e à Áustria.

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