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A mitologia do «dia D» ou o que realmente aconteceu na Venezuela a 23 de Fevereiro

Quem queimou os camiões da «ajuda humanitária»? O que transportavam? Que papel teve a Guarda Nacional Bolivariana? Desvendamos os «falsos positivos» de um dia marcado por informação enganosa.

Créditos / @teleSURtv

Quem incendiou os camiões?

A Ponte Internacional Francisco de Paula Santander, na fronteira da Venezuela com a Colômbia, foi um dos cenários escolhidos pela extrema-direita venezuelana para o denominado «falso positivo». A estação de televisão TeleSur revelou que quatro camiões estavam estacionados em solo colombiano com a propalada «ajuda humanitária» da Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID), com ligações à CIA.

Na tarde de sábado, segundo testemunhos divulgados pela estação venezuelana, grupos violentos da oposição incendiaram dois desses camiões com cocktails Molotov, tendo incriminado de seguida a Guarda Nacional Bolivariana e a Polícia Nacional Bolivariana.

Que tipo de «ajuda humanitária» transportavam? 

Um correspondente da TeleSur revelou que foram encontrados pregos, fios e apitos nos camiões queimados junto à fronteira, na localidade de Ureña. Materiais que seriam usados nas «guarimbas»: acções de violência caracterizadas pelo encerramento arbitrário de ruas, agressões com objectos contundentes, fios colocados à altura do pescoço e disparos. Este tipo de ofensiva contra o governo de Nicolás Maduro foi iniciado pela extrema-direita em Fevereiro de 2014, data em que morreram 43 pessoas.  

Que responsabilidade teve a Guarda Nacional Bolivariana nos incêndios?

As imagens mostram que os elementos da Guarda Nacional Bolivariana estavam em posição de defesa e resistência, em solo venezuelano, enquanto à sua frente deflagravam os incêndios.

Onde estava a Cruz Vermelha?

Enquanto se queimavam camiões foi possível observar pessoas com coletes da Cruz Vermelha. Perante as imagens, o Comité Internacional da Cruz Vermelha viu-se na obrigação de desmentir a sua participação na operação de ingerência levada a cabo pelos EUA com a extrema-direita venezuelana, tendo criticado a utilização abusiva do seu nome na dita operação «humanitária». 

Créditos

Os camiões chegaram a solo venezuelano? 

Não. Tampouco ultrapassaram a fronteira com o Brasil, apesar de Juan Guaidó ter afirmado no Twitter que um primeiro carregamento tinha passado entre a cidade brasileira de Picaraima e Santa Elena de Uairén, na Venezuela. Os repórteres no local, designadamente um jornalista da CNN, testemunharam que nenhum camião passou para solo venezuelano.

O governo de Nicolás Maduro fechou as fronteiras terrestres com a Colômbia e o Brasil, e marítimas, com as ilhas holandesas de Aruba, Bonaire e Curaçao, para impedir que os carregamentos dos EUA entrassem na Venezuela.

A «ajuda humanitária», expressão que tem servido de pretexto para liquidar a soberania de vários países, foi denunciada por Caracas como uma tentativa de promover o caos, o fornecimento de armas aos grupos paramilitares e uma intervenção armada externa na Venezuela.

Houve deserção de militares bolivarianos?

Nas primeiras horas da manhã de sábado, três desertores da Guarda Nacional Bolivariana investiram com dois carros blindados roubados contra o cordão de segurança junto à Ponte Internacional Simón Bolívar, tendo ferido com gravidade várias pessoas, entre as quais uma agente venezuelana e uma fotógrafa chilena, e chegaram à Colômbia, onde foram recebidos por deputados da extrema-direita venezuelana, com a cumplicidade da polícia colombiana.

 

 

 

 

«Não disparem, é um dos nossos», gritou um dos deputados da oposição, deixando perceber que se tratava de um acto planeado e não de uma «deserção massiva» nas fileiras militares bolivarianas. 

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