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Mais de 50 dirigentes sociais assassinados na Colômbia em 2020

Nos primeiros 49 dias do ano, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz registou o assassinato de 51 dirigentes sociais e defensores dos direitos humanos e de dez ex-combatentes farianos.

O departamento do Cauca continua a ser um dos mais violentos da Colômbia, registando-se ali inúmeros ataques a dirigentes sociais, defensores dos direitos humanos e membros dos povos originários
O departamento do Cauca continua a ser um dos mais violentos da Colômbia, registando-se ali inúmeros ataques a dirigentes sociais, defensores dos direitos humanos e membros dos povos originários Créditos / Semana

Na lista de dirigentes sociais e defensores dos direitos humanos assassinados, que o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz (Indepaz) vai actualizando com grande frequência, a última entrada é de dia 18, tem o número 51 e corresponde a Jorge Humberto Alpala, líder indígena e ex-autarca de Cumbal, no departamento colombiano de Nariño, onde foi morto a tiro.

O assassinato de Alpala segue-se ao de três outros dirigentes indígenas, no último fim-de-semana, no departamento do Cauca. No domingo, a Asociación de Cabildos Indígenas del Norte del Cauca (ACIN) denunciou a morte de Emilio Dauqui, indígena do resguardo Las Delicias, no município de Buenos Aires, onde foi abatido a tiro no sábado à noite.

O mesmo organismo revelou pouco depois que Albeiro Silva Mosquera e Luis Hugo Silva Mosquera foram mortos, no domingo, por homens armados no resguardo de La Cilia, no município de Miranda, também no departamento do Cauca.

Eram ambos dirigentes indígenas, integravam a guarda camponesa, pertenciam à Junta de Acção Comunal da vereda «La Morena» e tinham participado em vários processos sociais e sindicais no Sul da Colômbia, como a denominada «minga» e na Marcha Patriótica, informa a TeleSur.

Na segunda-feira, quando a ACIN recorreu à sua conta de Twitter para denunciar o assassinato dos três indígenas e alertar para a persistência das ameaças de morte, foi morto o dirigente juvenil Miguel Ángel Marín Arango na cidade de Medellín, capital do departamento de Antioquia.

Diversas organizações – dentro e fora do país andino – têm denunciado o facto de a violência persistir contra indígenas, agricultores, sindicalistas, defensores dos direitos humanos na Colômbia. Segundo o Indepaz, a maioria dos assassinatos perpetrados em 2020 teve lugar nos departamentos do Cauca, Putumayo e Antioquia.

Onze ex-combatentes farianos assassinados

Na lista do Indepaz, até dia 18 aparecem registados dez ex-combatentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (FARC-EP), o último dos quais Pedro Manchola Pastrana, no sábado passado, em Palermo (departamento de Huila).

Já no domingo à noite e ainda sem entrar na contabilidade do Indepaz, foi morto Daniel Jiménez, outro ex-combatente fariano, no município de Puerto Guzmán, no departamento de Putumayo. De acordo com a Contagio Radio, um grupo de homens abordou-o e disparou repetidamente contra ele.

Perante a situação de violência sistemática no país sul-americano contra pessoas relacionadas com as FARC-EP, o partido FARC denunciou a falta de segurança na Colômbia, que se «reflecte na continuidade dos assassinatos de dirigentes sociais e de ex-guerrilheiros das extintas FARC-EP».

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