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Lavrov: Tikhanovskaya não fala com a sua própria voz

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo fez a declaração menos de 24 horas depois de o responsável do serviço russo de informações ter acusado a ex-candidata de se encontrar «sob a tutela dos EUA».

O ministro dos Negócios Estrangeiros Sergei Lavrov informou os jornalistas sobre a resposta simétrica russa aos países que expulsaram diplomatas russos. Moscovo, 29 de Março de 2018.
Serguei Lavrov. Foto de arquivo CréditosEPA/Sergei Chrikov

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou que a ex-candidata presidencial bielorrussa Svetlana Thikanovskaya «fala com uma voz diferente» desde que se encontra na Lituânia, reporta a RT (em russo), citando uma entrevista dada por Lavrov ao canal de televisão russo RTV1.

«O facto de que ela não fala na sua própria voz é óbvio para mim», afirmou, acrescentando que a ex-candidata se estabeleceu na capital da Lituânia, país que, tal como a Polónia, «exige uma mudança de poder na Bielorrússia».

Lavrov lembrou que, na Lituânia, Tikhanovskaya é apresentada como a líder da Bielorrússia e Alexandre Lukashenko como um «presidente ilegítimo», e referiu que, a partir de Vilnius, entre outras declarações, a ex-candidata derrotada se mostra «preocupada com a estreita relação entre a Rússia e a Bielorrússia» e apela directamente às forças de segurança para passarem para a oposição, no que será, «provavelmente, uma infracção penal».

Referindo-se «aos que enquadram as suas actividades» e lhe dizem «que declarações produzir e que questões levantar», o chanceler russo recomenda «que compreendam que podem ser responsabilizados» pelos seus actos.

Lavrov desvalorizou as garantias de Tikhanovskaya de que a oposição «não estava envolvida em actividades anti-russas» e «almejava a amizade com o povo russo». As mesmas, afirmou, foram desmentidas no «programa político que, durante algumas horas, esteve disponível no website» da ex-candidata e que foi «removido pelos líderes da oposição depois de terem percebido o erro de partilhar as suas metas e objectivos com o público».

Do entretanto removido «Pacote de reanimação de reformas para a Bielorrússia» – de que no AbrilAbril já divulgámos as propostas (ver caixa) – Lavrov destaca a proposta de integração na União Europeia e na NATO, e «a proibição consistente da língua russa» no país.

A Rússia não está contra a língua bielorrussa, mas quando a oposição nacionalista se inspira no exemplo ucraniano «para proibir uma língua falada pela esmagadora maioria da população, tal já constitui um acto hostil» que, tanto na Ucrânia como na Bielorrússia, viola a Constituição de cada país, «sem falar de numerosas convenções sobre os direitos das minorias étnicas e linguísticas e de muitos outros direitos».

Em Agosto, num encontro celebrado na cidade russa de Solnechnogorsk, Sergei Lavrov disse que «há quem queira que a situação que se pacifica na Bielorrússia se torne violenta, provocar um banho de sangue e repetir o cenário ucraniano», em alusão ao golpe de Estado em Kiev de Fevereiro de 2014.

«Sob a tutela dos Estados Unidos»

Um dia antes o responsável do Serviço de Informações Externas Russo (SVR), Serguei Naryshkin afirmou à agência TASS que Tikhanovskaya se encontrava «sob a estreita tutela dos Estados Unidos», tal como outros activistas da oposição que foram «promovidos a líderes populares».

Os EUA, segundo Naryshkin, desempenham «um papel-chave» nos acontecimentos na Bielorrússia, citou a RT (em russo).

Quanto à «transferência de poder» pretendida pelos EUA e pelos seus aliados na Europa, trata-se, afirmou, de uma «nem sequer disfarçada tentativa de organizar uma revolução colorida e um golpe anti-constitucional cujas metas e objectivos não têm nada a ver com os interesses dos cidadãos bielorrussos».

Lukashenko recusou «entregar o poder» a Tikhanovskaya, apesar das «garantias de segurança» oferecidas pela ex-candidata caso o actual presidente «abandonasse o cargo pacificamente».

A 9 de Setembro Lukashenko denunciou a origem estrangeira dos distúrbios em Minsk, referindo que as manobras da oposição eram controladas pelos EUA a partir de dois centros no estrangeiro, um dos quais «perto de Varsóvia», na Polónia, e outro na República Checa, numa localidade não designada.

Assinalou também a criação de bastiões oposicionistas em território fronteiriço, na Lituânia e na Ucrânia, a fim de influenciar a situação na Bielorrússia.

A 18 de Setembro a agência bielorrussa Belta anunciou «o reforço da protecção das fronteiras ocidentais do país através de reservas tácticas».

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