A Rafael Advanced Defense Systems – uma das grandes empresas israelitas de material bélico – planeia iniciar o fabrico de peças para os sistemas de mísseis da Cúpula de Ferro na fábrica da Volkswagen em Osnabrück, na Alemanha, refere o portal The Cradle com base em informação divulgada esta segunda-feira por uma revista alemã.
De acordo com a fonte, a Volkswagen chegou a um acordo para a venda da fábrica a um consórcio que inclui o governo do estado federal da Baixa Saxónia e um fundo de investimento bávaro.
A Volkswagen está a «optimizar» as suas operações na Alemanha, tendo em conta que a produção industrial no país abrandou depois da perda do fornecimento de gás natural russo a baixo custo, na sequência da guerra na Ucrânia e da destruição do gasoduto Nord Stream, em 2022.
Nesse sentido, acrescenta a fonte, o fabricante automóvel alemão vai também fechar quatro fábricas, despedindo até 50 mil trabalhadores.
O Financial Times noticiou em Março que a Volkswagen e a Rafael estavam em negociações para transformar a produção da fábrica de Osnabrück, no sentido de deixar de fabricar automóveis e passar a produzir componentes de mísseis.
De acordo com fontes citadas pelo Financial Times, a Rafael planeava fabricar peças e motores de mísseis, em vez de explosivos, que seriam produzidos numa outra unidade.
A Volkswagen e a Rafael fecharam o acordo para a venda da fábrica em Abril último. No entanto, este viria a ser bloqueado pela Autoridade de Investimento do Catar (QIA, na sigla em inglês), que detém 10% das acções da Volkswagen e 17% dos direitos de voto.
Para contornar a oposição do Catar, a Baixa Saxónia envolveu-se na compra da fábrica, juntamente com a Rafael e o Aurelius Capital, um fundo de investimento com sede em Munique.
A fábrica de Osnabrück emprega actualmente 2300 trabalhadores, não sendo ainda claro se irão manter os empregos ou que protecções laborais receberão. Existem informações de que a Volkswagen pretende assinar um memorando de entendimento com o Aurelius Capital com vista a proteger os direitos dos trabalhadores na fábrica.
Alemanha, Israel e o genocídio na Palestina
Os sistemas de defesa antimíssil israelitas ajudaram a entidade sionista a perpetrar o genocídio na Faixa de Gaza e levar a cabo as guerras no Líbano, Irão e Iémen.
A mudança da produção automóvel para a produção de mísseis marca o foco renovado da Alemanha no fabrico de armas, no contexto da guerra na Ucrânia e da guerra de agressão ao Irão, levada a cabo por EUA e Israel.
O apoio a Israel está no cerne da política externa de Berlim, com a Alemanha a aumentar de forma exponencial o seu apoio militar ao país que ocupa a Palestina.
Recentemente, a revista alemã Der Spiegel revelou que, mesmo com o genocídio na Palestina, Berlim aprovou a exportação de material militar para Israel num valor de quase 930 milhões de dólares só na primeira metade deste ano.
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