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«A Haia terá de explicar o seu apoio a terroristas na Síria», diz diplomata russa

As autoridades neerlandesas terão de dar explicações sobre o apoio do país à chamada divisão Sultan Murad na Síria, grupo terrorista turcomeno apoiado pela Turquia, denunciou Maria Zakharova.

A divisão Sultan Murad, apoiada pela Turquia e acusada de crimes de guerra e terrorismo na Síria, é uma das organizações «rebeldes» ajudadas pelos Países Baixos, que ainda estão a esclarecer as «circunstâncias» 
A divisão Sultan Murad, apoiada pela Turquia e acusada de crimes de guerra e terrorismo na Síria, é uma das organizações «rebeldes» ajudadas pelos Países Baixos, que ainda estão a esclarecer as «circunstâncias» Créditos / wars in the world

«Os membros do Parlamento holandês descobriram que durante vários anos as autoridades da Haia prestaram ajuda não só aos pseudo-humanitários Capacetes Brancos, como à chamada divisão Sultan Murad» na Síria, escreveu esta semana a representante do Ministério russo dos Negócios Estrangeiros na sua conta de Telegram.

O grupo extremista, que perfilha o pan-turquismo e neo-otomanismo, foi acusado de métodos bárbaros, crimes de guerra e terrorismo na sua luta contra o Exército Árabe Sírio – nomeadamente tortura, assassinato de civis e associação à al-Qaeda – e, segundo dados revelados pela Organização das Nações Unidas (ONU), recrutamento de adolescentes para lutar nas suas fileiras, referiu a diplomata russa, segundo noticia a TASS.

Maria Zakharova indicou que os deputados neerlandeses ainda não conseguiram aferir como se processou exactamente este apoio, quanto custou aos contribuintes dos Países Baixos e quais são os planos para ajudas futuras.

«No entanto, isto não significa que os Países Baixos não tenham de o explicar», disse Zakharova, que deu ainda conta da indignação de alguns deputados neerlandeses, bem como da resposta da ministra holandesa dos Negócios Estrangeiros, de acordo com a qual a questão das crianças soldados e «as circunstâncias» estão a ser esclarecidas.

Não sem ironia, Zakharova disse que o «esclarecimento de circunstâncias causadas por decisões internas» necessita de tempo nos Países Baixos. Se se tratasse da Rússia, «as acusações seriam imediatas», bem como «a exigência de sanções e todo o tipo de maldições lançadas contra Moscovo».

A ajuda «não letal» holandesa aos «rebeldes» anti-regime

Uma comissão parlamentar de investigação foi criada depois de vários meios de comunicação terem revelado, entre 2017 e 2018, que o governo neerlandês tinha atribuído milhões de euros, pelo menos desde 2015, a 22 grupos ditos rebeldes, ao abrigo do conceito de «ajuda não letal», que se opunham ao governo constitucional de Bashar al-Assad.

O governo holandês alegou que ajudava apenas os «rebeldes moderados», que não cooperavam com extremistas e que trabalhavam em prol de uma «solução política inclusiva».

No entanto, as investigações mostraram que muitos dos grupos não só cooperavam com extremistas, mas eram extremistas eles mesmos, e perfilhavam ideologias jihadistas.

Alguns dos «rebeldes moderados» ajudados eram inclusive considerados como «organizações criminosas com fins terroristas» pelo Ministério Público dos Países Baixos.

Depois disto, Damasco afirmou que o governo dos Países Baixos – que continuava a debitar sentenças sobre os destinos da Síria – era «a última parte com direito a falar sobre direitos humanos».

Em Dezembro de 2020, quando o primeiro-ministro neerlandês, Mark Rutte, admitiu que tinha intervindo pessoalmente para obstruir as investigações parlamentares sobre o apoio aos «rebeldes» na Síria, Damasco voltou a recordar «a hiprocrisia flagrante das políticas dos Países Baixos e do Ocidente no que respeita às alegações de que lutam contra o terrorismo e protegem os direitos humanos».

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