A questão torna-se ainda mais problemática durante o Verão e constitui uma ameaça para a saúde e a vida quotidiana dos habitantes do enclave palestiniano cercado, na medida em que a maioria da população é incapaz de refrigerar os alimentos e as estações de tratamento de águas residuais são incapazes de funcionar.
De acordo com o relatório agora publicado pelo Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV), a escassez crónica e prolongada de electricidade e os cortes de energia afectam psicologicamente as pessoas, sendo que 94% dos habitantes de Gaza inquiridos deram conta desse impacto na sua saúde mental.
Além disso, a recente agressão israelita, em Maio último, danificou as infra-estruturas e causou uma enorme escassez de abastecimento através das principais linhas eléctricas, deixando as pessoas com apenas quatro a cinco horas de electricidade por dia, revela a investigação, a que a agência Prensa Latina e o MPPM – Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente fazem referência.
Se alguns podem pagar o fornecimento adicional de electricidade através de geradores, pelo menos 500 mil pessoas não o podem fazer, pelo que são forçadas a passar a maior parte do seu dia sem electricidade, comenta o estudo.
Uma «vida quase impossível»
Os inquiridos descrevem como a indisponibilidade de electricidade tem vindo a tornar a vida quotidiana extremamente difícil há anos. É quase impossível fazer trabalhos domésticos, os aparelhos avariam frequentemente quando a electricidade está desligada, não há água corrente, os trabalhos escolares não podem ser terminados, as pessoas têm de suportar uma enorme carga financeira para comprar energia extra e os cortes de energia contribuem para a poluição ambiental, resume o MPPM no seu portal.
«Isto parece um cemitério quando a electricidade está cortada. Está escuro como breu. Acendo o candeeiro de petróleo. Mesmo as lâmpadas LED são insuficientes porque as baterias não estão completamente carregadas. Também nem sempre tenho petróleo para a lâmpada e é insuficiente para os meus filhos estudarem», disse Mariam Hunaideq, uma mãe de seis filhos que vive em Nahr al-Barid, no Sul da Faixa de Gaza cercada.
A falta de electricidade significa também que as estações de tratamento de águas residuais não podem funcionar e as águas residuais são bombeadas para o mar sem tratamento, poluindo grandes extensões da costa do enclave palestiniano. Deste modo, está-se a poluir o mar e a contribuir para a rápida propagação de bactérias resistentes aos antibióticos, que põem em perigo a saúde das pessoas.
Mirjam Müller, chefe da subdelegação do CICV em Gaza, afirmou que «a electricidade se tornou um problema no território», com «um impacto profundo em serviços básicos como o abastecimento de água, o tratamento de águas residuais e os serviços de saúde», além se ser importante no «funcionamento das empresas e na irrigação de culturas e pomares».
«Em 2021, os habitantes de Gaza não deveriam viver desta forma. Apelamos às autoridades envolvidas e à comunidade internacional para que reconheçam a situação e trabalhem para a melhorar», disse.
Nas últimas semanas, refere a Prensa Latina, diversos organismos das Nações Unidas intensificaram os apelos a Israel para que pusesse fim ao bloqueio que mantém contra Gaza desde 2007.
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