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Roger Waters re-edita «Comfortably Numb» com cantora palestiniana Mona Miari

A música tem a duração de 9 minutos, é cantada em inglês e árabe, e o vídeo que lhe dá corpo conta com imagens de Gaza. «Palestine wants to be free / I will cross the ocean just to save one olive tree / With equal rights for everyone, from the river to the sea», ouve-se na música que é um hino à resistência. 
 

Comfortably Numb remonta a 1979 e entra no The Wall, sétimo álbum dos Pink Floyd, banda histórica que contava com Syd Barrett, Nick Mason, Roger Waters, Richard Wright e David Gilmour. A música, que conta a experiência de Waters depois de ter recebido uma injecção de tranquilizantes antes de um concerto, foi composta pelo guitarrista, David Gilmour. Segundo este último, foi a última vez que ele e Waters conseguiram trabalhar juntos de forma construtiva.

Os anos passaram e Roger Waters fez o seu caminho a solo à medida que aprofundou a sua consciência política e se tornou vocal na sua posição anti-imperialista. O polémico músico nunca se escondeu, deu sempre a cara na denúncia das injustiça e esta semana lançou uma música que marca mais um momento do seu activismo militante.

Waters foi, então, até 1979, trouxe para o presente a Comfortably Numb e, fazendo-se acompanhar pela cantora palestiniana Mina Miari, deu-lhe novas vestes, mantendo apenas as notas, a progressão e o primeiro verso, porém, com um arranjo completamente diferente. Comfortably Numb Re-Imagined é o título do novo trabalho que pega no original, mas vai mais longe num sentido metafórico que procura alterar para o genocídio na Palestina promovido por Israel.

Enquanto que na versão original Waters relata a experiência de estar confortavelmente dormente (comfortably numb) graças aos tranquilizantes, na versão mais recente, à revista Wired, o músico explica que o objectivo é resistir à o dormência e insensibilidade emocional causada pelas redes sociais e pelo fluxo constante de informações, especialmente no contexto da guerra em Gaza. «Nunca me tornarei confortavelmente insensível», ouve-se na música. 

A par da denúncia que Waters procura projectar, da parte de Mona Miari vem mais. A cantora traz à colaboração sua experiência pessoal como palestiniana, para quem a causa não é uma escolha, mas parte de sua identidade e história. Em árabe, a Miari não traz lamentos, mas invoca um sentimento de resistência e esperança num futuro melhor: «O ramo de oliveira continua a erguer-se imponente entre as estrelas / Cheio de feridas /
Uma ferida aberta clama por liberdade». e «Seremos livres / Continuaremos livres».

A música tem um total de nove poderosos minutos. Em Mona Maiari está uma voz que sensibiliza e nos mete focados no que está a ser tratado, em Waters estão as questões que procuram derrubar as barreiras emocionais de autopreservação que por vezes erguemos sem dar conta. A dupla lançou outras três versões, incluindo uma edição de três minutos e um excerto de 40 segundos, mas Miari insiste que a versão completa continua a ser a definitiva.
 

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