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Coligação internacional ataca hospital de Raqqa com fósforo branco

Denunciando os «massacres contínuos e sistemáticos» de civis, por parte da coligação internacional liderada pelos EUA, em que se inclui a destruição recente do Hospital de Raqqa, o Ministério sírio dos Negócios Estrangeiros reiterou o pedido de dissolução desta coligação.

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Caças norte-americanos F-15 (foto de arquivo)
Caças norte-americanos F-15 (foto de arquivo)Créditos / sputnik News

«A Síria reitera o seu apelo de imediata dissolução da coligação que foi constituída fora do quadro das Nações Unidas e sem pedido de autorização ao governo sírio», lê-se nas cartas que o ministério enviou, este domingo, ao secretário-geral da ONU e ao presidente do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU), informa a agência Sana.

As missivas destacam «os massacres contínuos e sistemáticos» da população síria levados a cabo pela coligação internacional liderada pelos Estados Unidos, acrescentando que «atacar bairros residenciais e casas de civis, destruir o Hospital Nacional de Raqqa e usar munições com fósforo branco, banidas internacionalmente, constituem violações flagrantes do direito humanitário internacional e novos episódios das atrocidades» cometidas contra os cidadãos sírios em várias províncias.

As acções da coligação internacional são «crimes de guerra e contra a humanidade, para os quais não há justificação possível», frisa o Ministério sírio dos Negócios Estrangeiros, que insta o CSNU a assumir as suas responsabilidades na defesa da paz e da segurança internacional.

Ataque ao Hospital de Raqqa com fósforo branco

Estas cartas seguem-se às que, com conteúdo semelhante, o governo sírio dirigiu há uma semana também às Nações Unidas, na sequência de bombardeamentos que provocaram grande número de mortes e feridos entre a população civil. De então para cá, mais civis foram mortos em ataques da coligação e o Hospital Nacional de Raqqa foi atacado, segundo revelou a Sana este sábado.

Num comunicado da vice-directora do Crescente Vermelho Árabe Sírio em Raqqa, Dina al-Asa’ad, precisa-se que as instalações hospitalares, que servem mais de 100 mil pessoas, foram atacadas na quinta-feira à noite pela aviação da coligação internacional, que recorreu a bombas com fósforo branco e a bombas convencionais.

A situação levou Irina Yarovaya, vice-presidente da Duma de Estado, a afirmar, no sábado, que as Nações Unidas têm de abordar a utilização de fósforo branco na Síria, por parte da coligação internacional.

É tempo de «efectuar análises pós-voo» e «investigar se foi incompetência total e negligência criminosa ou intenção disfarçada de destruir aqueles que não são terroristas», defendeu a política e advogada russa, acrescentando que mais um ataque dos aviões da coligação a uma infra-estrutura civil conduz à questão: «Até quando irá a coligação ajudar os terroristas a bombardear e destruir a Síria?»

Desde Setembro de 2014

Alegando estar a atacar posições do Daesh, a coligação liderada pelos norte-americanos opera na Síria desde Setembro de 2014, sem autorização do governo de Damasco ou um mandato da ONU. Dos seus ataques resultam, em inúmeras ocasiões, mortes de civis.

Na sexta-feira passada, a coligação emitiu um relatório em que reconhece «ter morto por acidente» 624 pessoas, nos seus «ataques aéreos contra o Daesh» na Síria e no Iraque. De acordo com a PressTV, há organizações que multiplicam esse número por oito (nos dois países levantinos) e por dez (só na Síria).

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