Em comunicado, a Confederação Intersindical Galega (CIG) lembra que, este ano, dinamizou «numerosas greves e mobilizações», com as quais a classe trabalhadora galega está a protagonizar «lutas importantes na defesa dos nossos direitos».
«Como classe trabalhadora, mas também como nação, como povo que quer decidir sobre os seus recursos, o seu desenvolvimento, as suas condições laborais e salariais», afirma a central, referindo-se a «lutas por igualdade real, por direitos sociais e para revitalizar a nossa língua».
«A Galiza é uma nação com uma realidade económica, produtiva e social própria, pelo que devemos contar com um âmbito galego próprio de negociação colectiva, de regulação das condições de trabalho e de protagonismo da classe trabalhadora nas decisões que afectam o nosso futuro», defende a CIG, afirmando que estas reivindicações «são colocadas no contexto económico, político e social em que lutamos em cada momento», seja por acordos colectivos justos, por empregos com salários dignos, por melhores serviços públicos ou pelo direito a uma habitação condigna.
A estrutura sindical sublinha que é preciso ter sempre presente que as suas lutas não se resumem à exigência de melhorias económicas, laborais e salariais. «O nosso objectivo é resolver no imediato as reivindicações, mas num processo de acumulação de forças, de fazer com que o poder sindical construa também poder popular», esclarece.
«Ao discutirmos o rumo da sociedade, é decisivo acumular força social para confrontar um sistema que impõe à Galiza uma relação de dependência económica e política consagrada na Constituição espanhola e no Estatuto de Autonomia», acrescenta.
Lutas num contexto marcado pela deslocalização, a precariedade e o retrocesso
A CIG «é a expressão da auto-organização da classe trabalhadora galega a nível nacional, que responde a uma necessidade material e se relaciona com os nossos direitos e condições de vida», afirma o texto, salientando que, «se as principais decisões económicas, industriais, energéticas, laborais, salariais ou de investimento forem tomadas fora do país, a capacidade efectiva da classe trabalhadora galega de defender os seus interesses fica necessariamente limitada».
A central explica que as suas lutas têm lugar num contexto marcado «pela deslocalização produtiva, pela concentração das decisões económicas em centros de poder alheios à realidade galega e pela crescente perda de capacidade de decisão», sem que a reivindicação da soberania perca actualidade: «ganha relevância como instrumento de defesa do emprego, da indústria, dos serviços públicos e de condições de vida dignas para a maioria social do país». destaca.
«A precariedade laboral e a regressão social impostas pelas políticas neoliberais permanentes aprovadas pelos governos de turno têm como aliado o diálogo social, que o sindicalismo espanhol defende com entusiasmo e dedicação, ao mesmo tempo que encobre medidas que apenas beneficiam o capital», critica.
Neste sentido, denuncia a linha «antidemocrática» de acção desta aliança, «espanhola e do capital», que se dedica «a manter este sistema, a reforçar a negação da realidade plurinacional do Estado, a garantir a unidade do mercado espanhol, a recentralizar as relações laborais e a impor novos acordos colectivos estatais que desmantelam os acordos colectivos galegos e provinciais».
Reivindicações para a Galiza, expressão de solidariedade internacionalista
Assim, a CIG defende a importância de «conquistar os instrumentos de poder necessários» para que a maioria social na Galiza «possa decidir soberanamente o seu futuro e construir um modelo económico e social ao serviço do país».
Estas reivindicações para a Galiza «decidir livremente, avançar socialmente e conquistar direitos» são, no entender da central sindical, uma «expressão de solidariedade internacionalista», que exige «novas relações internacionais sem exploração, sem guerras ou dependências, baseadas no direito à autodeterminação e no respeito pela soberania económica e política dos povos e das nações».
«Urge um mundo construído sobre a justiça, a cooperação, a igualdade e a paz», sublinha.
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