A decisão tomada esta semana pelo BCE, de manter as taxas de juro de referência nos 4,25%, significa o prosseguimento de uma orientação que, tendo como objectivo declarado combater a inflação, não tem em conta as pesadas dificuldades que atingem centenas de milhares de famílias com empréstimos à habitação, considerando que continuamos em Portugal a assistir ao aumento significativo da especulação imobiliária e dos preços das rendas de casa.
Esta decisão parece agradar apenas à banca, que garante mais uns milhares de milhões de euros de lucros, pois não favorece nem a situação das micro e pequenas empresas, nem a própria dívida pública. Por outro lado, a opção de manter as taxas de juro elevadas suscita dúvidas quanto ao verdadeiro objectivo da descida, ainda que ligeira, efectuada pelo BCE três dias antes das eleições para o Parlamento Europeu, no passado mês de Junho.
Entretanto, a presidente do BCE, Christine Lagarde, voltou a culpar os salários pela subida da inflação, propondo reduzir o seu crescimento em 2025 e 2026.
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