|Palestina

Autoridade Palestiniana condena Israel por demolição de salas de aula

Forças israelitas destruíram, este domingo, duas salas de aula em Abu Nuwar, perto de Jerusalém. Rami Hamdallah, primeiro-ministro palestiniano, condenou Israel por «negar às crianças palestinianas o direito à Educação» e «pressionar as comunidades a sair, para confiscar as suas terras».

Crianças palestinianas dos 3.º e 4.º anos a estudar nos escombros das salas de aula demolidas no domingo pelos israelitas em Abu Nuwar
Crianças palestinianas dos 3.º e 4.º anos a estudar nos escombros das salas de aula demolidas no domingo pelos israelitas em Abu NuwarCréditos / Wafa

As salas de aulas, que pertenciam à escola da comunidade beduína de Abu Nuwar, localizada na Margem Ocidental ocupada, foram destruídas no domingo de manhã pelas autoridades israelitas, que alegaram que a demolição estava ancorada em decisões judiciais contra construções não autorizadas.

Cerca de 25 crianças dos 3.º e 4.º anos foram afectadas pela demolição das salas. A escola, cuja construção foi financiada pela União Europeia em 2017, com o objectivo de facilitar o acesso das crianças à educação, serve mais de 60 alunos em Abu Nuwar, onde residem cerca de 650 pessoas, indica a agência Ma'an. Autoridades palestinianas disseram à Reuters que é a quinta vez que o edifício da escola é demolido desde 2016.

O primeiro-ministro da Autoridade Palestiniana (AP), Rami Hamdallah, condenou a demolição, sublinhando, num comunicado emitido ontem, que viola «o direito das crianças palestinianas à Educação». Esta acção enquadra-se «na política deliberada das autoridades israelitas de pressão sobre as comunidades palestinianas para que se vão embora, de modo a confiscar as suas terras e construir mais colonatos», lê-se no texto, citado pela Ma'an.

«Corredor E1» e risco de expulsão

A comunidade beduína de Abu Nuwar localiza-se na Área C, que constitui cerca de 60% da Margem Ocidental ocupada e se encontra sob controlo civil e militar israelita. É também aqui que está concentrada a maior parte dos colonatos israelitas – ilegais à luz do Direito Internacional –, onde vivem mais de 600 mil colonos.

Tal como outras comunidades beduínas palestinianas na região, Abu Nuwar enfrenta o risco de transferência forçada, em virtude de um plano de «relocalização» elaborado pelas autoridades israelitas.

No contexto dos seus planos expansionistas, Israel criou o chamado «corredor E1», que tem como objectivo ligar, de forma contínua, com área construída, o grande colonato de Maale Adumim a uma Jerusalém Oriental anexada. Todas as comunidades que se encontrem nesse «corredor» estão, então, em risco de serem expulsas das suas terras.

No chamado «corredor E1», os israelitas pretendem construir milhares de unidades habitacionais apenas para judeus, isolando Jerusalém Oriental do resto dos territórios palestinianos da Margem Ocidental, impedindo de facto que essa seja a capital de um Estado palestiniano independente e tornando impossível uma solução de dois estados.

Tópico