Num comunicado divulgado esta quinta-feira à noite, as organizações sociais, sindicais, feministas, indígenas e populares de 16 países que integram a Abya Yala Soberana sublinham que as eleições gerais deste domingo no Brasil vão definir não apenas a presidência e vice-presidência da República Federativa, mas também o rumo do continente.
«O imperialismo norte-americano, sob a égide da chamada doutrina "Donroe", implementou uma estratégia aberta de intervencionismo neocolonial para impulsionar a extrema-direita nas urnas e articular alianças com governos afins em toda a região», lê-se no texto.
As organizações sociais que fazem parte da Abya Yala Soberana referem que, no Brasil, o intervencionismo se manifestou através de pressões tarifárias e ameaças de impugnação dos resultados.
«A campanha aberta de desestabilização procura favorecer a candidatura do herdeiro político de um ex-presidente autoritário [Jair Bolsonaro] que, depois de perder as eleições, tentou um golpe de Estado em 2023», sublinham.
Neste contexto, denunciam e condenam energicamente as manobras políticas e belicistas, bem como as campanhas mediáticas que «procuram favorecer os interesses neocoloniais e imperiais das redes de cumplicidade entre as corporações transnacionais, as elites nacionais ligadas a governos fascistas e o crime organizado».
As palavras proferidas recentemente pelo presidente norte-americano, Donald Trump, na Assembleia Geral das Nações Unidas «evidenciam que as redes mafiosas do poder mundial estão dispostas a quebrar as regras de convivência nacional e internacional», alertam.
Inclusive, sublinha o documento, estão dispostas a «recorrer à força militar para subjugar e subordinar o nosso continente».
Solidariedade com as forças brasileiras que lutam contra o regresso do fascismo
Face a esta ofensiva anti-popular, a organização que defende o bem-viver e a dignidade dos povos reafirmou o seu apoio a todas as forças colectivas democráticas e populares que, no Brasil, lutam «para impedir o regresso do fascismo ao Palácio do Planalto».
A articulação rejeita a ingerência externa, exigindo respeito total pelo voto popular nas eleições de 4 de Outubro e lembrando que foram utilizadas «manobras sujas comunicacionais e cibernéticas para sabotar e manipular processos eleitorais recentes na Argentina, Bolívia, Honduras, Colômbia, Equador e Peru».
Reclama respeito pela soberania e autodeterminação, reafirmando a «exigência irrestrita de respeito pelos direitos territoriais, pela autonomia e pelas decisões soberanas dos povos do Brasil e de todos os povos que resistem ao avanço do modelo extractivista e autoritário na região».
Lançando um apelo fraterno ao povo do Brasil para que se organize face ao fascismo, ao «trumpismo» e às redes mafiosas locais e transnacionais, a organização afirma que «a resistência dos povos é continental» e que «a vitória de um é a vitória de todos».
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