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|Israel

Eleições israelitas marcadas pela proximidade entre blocos políticos pró-genocídio

Com mais de 7,3 milhões de eleitores chamados a renovar os 120 lugares do Knesset entre 34 listas concorrentes, sondagens apontam para uma erosão significativa da coligação de direita e extrema-direita liderada por Netanyahu.

Créditos Atef Safadi / EPA

As projecções recentes colocam o partido Yashar, liderado pelo ex-chefe do Estado-Maior Gadi Eisenkot, à frente do Likud de Netanyahu, com perspectivas de conquistar entre 20 e 23 assentos parlamentares. Eisenkot surge também destacado nas preferências de sectores do eleitorado para o cargo de primeiro-ministro.

Caso se confirme esta viragem, a eventual ascensão de Eisenkot, de ascendência mizrahi (judeus oriundos de países árabes e do Médio Oriente, historicamente sujeitos a discriminação social e económica por parte da elite fundadora de origem europeia), quebraria barreiras formais no acesso às chefias do executivo israelita.

Apesar disso, o cenário aponta para um persistente empate técnico entre blocos, tornando altamente complexa a geometria política para assegurar as 61 cadeiras necessárias para formar governo sem recorrer a alianças de contornos difíceis ou a uma extrema-direita profundamente enraizada nas instituições.

Eisenkot tem beneficiado de uma expectativa difusa, assentando o seu discurso numa postura de aparente moderação táctica, mas mantendo linhas vermelhas fundamentais do establishment militar. Ao afastar a criação de um Estado palestiniano durante o seu eventual mandato, alinha-se com o consenso colonial sionista. Relativamente à Cisjordânia ocupada, tem defendido a consolidação dos chamados «colonatos legais», um conceito nulo e sem validade à luz do direito internacional, que considera toda a colonização ilegal. Quanto a Gaza, o plano apregoado passa pela prossecução dos objectivos bélicos sob novas roupagens estratégicas.

Apesar de uma eventual mudança de rostos na chefia do governo, analistas apontam que a política externa e de defesa não sofrerá rupturas de fundo. A arquitectura parlamentar continuará a reflectir uma maioria empenhada na opressão estrutural do povo palestiniano e na manutenção da política de extermínio e limpeza étnica em curso na Faixa de Gaza.

Tentativa de impedir a participação de partidos árabes e progressistas

Apesar dos rótulos propagandísticos que comunicam Israel como «a única democracia do Médio Oriente», o regime assenta na repressão sistemática, na erosão de liberdades fundamentais e na tentativa recorrente de proibir forças e candidatos palestinianos.

A tentativa de banir a participação de forças de maioria árabe abalou o panorama político destas eleições. A medida, denunciada por organizações de direitos cívicos como uma manobra de cariz discriminatório e excludente para marginalizar os cidadãos palestinianos com cidadania israelita (que representam cerca de 20% da população), acabou por ser travada pelo Supremo Tribunal de Israel, que anulou o veto.

Neste contexto, sectores progressistas e as forças da esquerda israelita, incluindo o Partido Comunista de Israel e a coligação Hadash, intensificaram os apelos à participação eleitoral massiva e ao voto na lista conjunta liderada por figuras como Yousef Jabarin.

Ainda assim, o processo tem sido marcado por graves obstruções: multiplicam-se os relatos de boletins de voto de partidos árabes que desapareceram misteriosamente de assembleias de voto, impedindo milhares de eleitores de exercer o seu direito, num clima alimentado pelas campanhas de incitação ao ódio contra a população árabe, promovidas por Netanyahu, Itamar Ben-Gvir e outros dignitários do regime.

A restrição democrática em Israel extravasa o plano estritamente eleitoral, radicando num sistema estrutural de apartheid e dominação colonial sobre os palestinianos, institucionalizado e reforçado por marcos legais como a polémica lei do «Estado-Nação do Povo Judeu», aprovada em 2018.

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