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240 artistas pedem fim do bloqueio à Faixa de Gaza

Sérgio Godinho, Chullage e Massive Attack são alguns dos subscritores que condenam a ocupação e opressão institucionalizada por Israel.

Criança palestiniana sobre os escombros de um prédio demolido pelo Exército israelita. 3 de Outubro de 2019, Beit Ummar, Cisjordânia ocupada, Palestina
CréditosAbed Al Hashlamoun

A surto epidémico de Covid-19 levou um pouco daquilo que é «a normalidade de Gaza» aos quatro cantos do mundo: cidades confinadas, restrição de movimentos, encerramento de fronteiras, desemprego em alta, colapso económico, ansiedade, medo e incerteza em relação ao futuro.

Gaza também não escapa aos contágios, apesar do isolamento. Desde 21 de Março foram contabilizados 20 casos positivos.

«Os relatos dos primeiros casos de coronavírus na densamente povoada Gaza são profundamente perturbadores», alertam 240 artistas, portugueses e estrangeiros, numa carta aberta divulgada na quarta-feira. «O bloqueio de Israel impede a entrada de medicamentos e material médico, pessoal e ajuda humanitária fundamental. A pressão internacional é urgentemente necessária para tornar a vida em Gaza viável e digna. O cerco de Israel deve acabar», pode ler-se.

Entre os signatários portugueses estão o músico Sérgio Godinho, o rapper Chullage, a escritora Patrícia Portela, a pintora Teresa Cabral, o dramaturgo Tiago Rodrigues e o coreógrafo Rafael Alvarez.

Os subscritores internacionais incluem os músicos Peter Gabriel e Roger Waters, a banda Massive Attack, o compositor Brian Eno, a jornalista Naomi Klein, o escritor Irvine Welsh e o actor Viggo Mortensen.

«Bem antes da crise em curso, os hospitais de Gaza já estavam no ponto de ruptura devido à falta de recursos essenciais negados pelo cerco israelita. O seu sistema de saúde não conseguiu dar resposta aos milhares de ferimentos por bala, obrigando a muitas amputações», alertam os subscritores.

A carta não se limita a expor a fragilidade de Gaza e do seu sistema de saúde. Vai mais longe e apela a um embargo militar internacional a Israel, «até que este país cumpra todas as suas obrigações à luz do direito internacional».

«As epidemias (e pandemias) são desproporcionalmente violentas para as populações atormentadas pela pobreza, ocupação militar, discriminação e opressão institucionalizada», lembram, acrescentando que, devido ao surto epidémico, «os quase dois milhões de habitantes de Gaza, predominantemente refugiados, enfrentam uma ameaça mortal na maior prisão ao ar livre do mundo».

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