«Este festival tenta responder a um enorme vazio de programação nesta zona do concelho de Almada e reflete sobre o lugar do Sul», lê-se sobre a iniciativa no site do Hotel Europa. A zona que recebe o festival é marcada pelo contraste entre a alta procura de um turismo de massas e a situação periférica dos bairros de auto-construção das Terras da Costa, do 2.º Torrão e da Cova do Vapor, uma «zona que culturalmente tem muito poucas opções».
Do contacto com as associações locais surge a oferta diversificada do festival, com espectáculos, concertos, workshops e visitas. O Sul pretende dar visibilidade a vozes novas e a consagradas, criando um espaço de diálogo sobre temas como memória colectiva, democracia, colonialismo e resistência ao fascismo.
Programação
O que é que fazem os meus pais quando não estão comigo? abre o festival no dia 15 de Abril, no Recreios Desportivos da Trafaria – Casino. O espectáculo lúdico é o primeiro da companhia Hotel Europa dedicado às crianças e famílias. No mesmo dia, há espaço para a apresentação das residências artísticas de Bruna da Matta Sarubo e Carlota Berzal, de nacionalidades brasileira e espanhola, respectivamente, escolhidas através de uma convocatória da companhia no final em Fevereiro.
No dia 16 de Abril, Paulo Quedas leva Canção de Embalar à Sociedade Musical Trafariense, onde se segue uma conversa com outros artistas. Há o Ensaio para auto-retrato, com Ivone Fernandes-Jesus e Joana Campos, que também conversam no final.
A vida emocional de mulheres que se dedicam aos outros é o tema que leva Roselyne, peça de Cécile da Costa, ao palco do Recreios Desportivos da Trafaria – Casino, no dia 17 de Abril. O dia encerra com um concerto de Mariana Camacho.
No dia seguinte, Cécile da Costa vai até à Associação MAR – Costa da Caparica para ministrar um workshop sobre movimento, ritmo, forma e fluxo nas performances. À tarde, Cláudia Galhós vai mediar uma conversa sobre os dez anos do Hotel Europa, na Casa do Cais – Trafaria. À noite, André Amálio, Tereza Havlíčková e Cheila Lima sobem ao palco com Passaporte, para contar sobre os milhares de retornados portugueses e sobre aqueles tantos outros que até o passaporte português lhes foi negado. O dia fecha com o DJ set África em Vinil de Nelson Makossa.
No último dia de festival há dois workshops de dança, Beatriz Conceição ensina dança cigana, enquanto Dougie Knight traz expressão corporal e improviso com um workshop de hip-hop e krump. No mesmo dia, o Hotel Europa também traz outro workshop, Teatro Documental, uma iniciação ao género e à linguagem que a companhia tem vindo a desenvolver. A Banda Filarmónica da Sociedade Musical Trafariense também se apresenta cruzando repertórios da resistência africana e portuguesa. Chegando ao fim do dia, Ângelo Torres encarna Amílcar Cabral em Amílcar Geração, um monólogo seguido de conversa com o encenador Guilherme Mendonça. O encerramento definitivo fica por conta do grupo de folclore balcânico Džezva.
Os diversos momentos do festival exigem reserva prévia no site, onde também é possível consultar horários, locais e mais informações.
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