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Projetos em diferentes linguagens artísticas

Pintura, fotografia e escultura de António Oliveira e Carlos Marques em Évora, aguarelas de Filipa Malva em Sacavém, desenho em Gondomar, e composições de matriz sonora de João Pimenta Gomes em Braga.

Exposição coletiva «Intervalo — Antes e Depois, o Desenho» no Lugar do Desenho - Fundação Júlio Resende, em Gondomar, até 30 de setembro
Exposição coletiva «Intervalo — Antes e Depois, o Desenho» no Lugar do Desenho - Fundação Júlio Resende, em Gondomar, até 30 de setembroCréditosFJR / O Lugar do Desenho

Na Igreja de São Vicente1, em Évora, podemos visitar a exposição «Oliveiras... velhas senhoras e esculturas improváveis» de António Oliveira e Carlos Marques, até 23 de setembro. Além destes dois artistas utilizarem a oliveira como referência dos seus trabalhos artísticos em Pintura, Fotografia e Escultura, podemos também ler um texto, em que se fala de oliveiras como, «companheiras de uma viagem, generosa e silenciosamente presentes no dia-a-dia da humanidade, dádivas da natureza, singulares e únicas, as oliveiras são as árvores com maior identidade de todas as árvores, cada uma diferente da outra, como cada rosto, como cada corpo, como cada um de nós… em cada rosto singularidade, em cada rosto igualdade

Exposição «Oliveiras… velhas senhoras e esculturas improváveis» de António Oliveira e Carlos Marques na Igreja de São Vicente, em Évora, até 23 de setembro Créditos

A Igreja de São Vicente, também conhecida como Igreja dos Mártires de Évora, foi edificada sobre uma ermida, entre 1461 e 1467, dentro daquilo que é conhecido como Cerca Velha, ou seja, a parte mais antiga da muralha de Évora. Da antiga ermida do século XV, subsistem ainda, dois portais góticos, de influências mudéjares. No interior podemos ainda ver um retábulo, de finais do século XVI, em linhas clássicas, e uma pintura mural do século XVI, esta pintura é de Francisco de Campos, pintor referenciado em outras obras da cidade de Évora, especialmente nos Paços dos Condes de Basto. Atualmente a Igreja de São Vicente, património da cidade de Évora, serve de sala de exposições temporárias, encontrando-se afastada do culto religioso. Esta será, a acrescentar a outras, uma boa razão para não deixar de visitar esta igreja. Imaginá-la como antigo local de culto e olhá-la agora como local de cultura e de arte.

A Biblioteca Municipal Ary Dos Santos2, em Sacavém apresenta a exposição de ilustração «As portas que Abril abriu» de Filipa Malva, que pode ser visitada até 30 de setembro.

As Edições Avante! publicaram, em 2021, uma nova edição, com ilustrações originais de Filipa Malva. Para este trabalho, a ilustradora criou um conjunto de cerca de 50 aguarelas, das quais se faz agora uma seleção para a exposição. O poema «As portas que Abril abriu» foi escrito por José Carlos Ary dos Santos, em Lisboa, em julho/agosto de 1975, e publicado originalmente pela Editorial Comunicação. A primeira edição foi ilustrada por António Pimentel e impressa em novembro de 1975. 

Filipa Malva é cenógrafa e arquiteta. É doutorada em Estudos Artísticos pela Universidade de Coimbra e Mestre em Espaço de Performance pela Universidade de Kent. Tem desenvolvido trabalho regular como cenógrafa, figurinista, artista cénica e desenhadora.

Exposição de ilustração «As portas que Abril abriu» de Filipa Malva na Biblioteca Municipal Ary Dos Santos, em Sacavém, até 30 de setembro Créditos

Nos últimos quatro anos tem sido responsável pela cenografia e figurinos da Casa da Esquina, O Teatrão, a Cooperativa Bonifrates, os Macadame, os Cornalusa e o GEFAC, entre outros. É membro fundador da Associação Portuguesa de Cenografia.

O Lugar do Desenho — Fundação Júlio Resende3, em Gondomar, apresenta a exposição «Intervalo — Antes e Depois, o Desenho», que reúne os trabalhos realizados em contexto académico, na disciplina de Práticas do Desenho e Estúdio de Desenho, os quais refletem sobre a condição do desenho enquanto prática autónoma, nas suas dimensões reflexiva, expressiva e comunicante e tem como curadores Pedro Maia e Sílvia Simões. A exposição decorre até 30 de setembro. 

Participam nesta exposição: André Marques, Alejandra Pardo, Ângela Caires, Anna Carvalho, Carlos Siqueira Pontes, Carolina Lourenço, Dante, Diana De Brito, Francisca Costa, Francisca Teles E Castro, Gonçalo Ribeiro, Inês Soares, Íris Sobral, Jana Pufflerová, João Coelho, João Tadeu, Juliana Alves, Leona Blazheva, Leonor Silva Carvalho, Luís Miguel Pinho, Margarida Bezerra Bastos, Maria Cruz, Maria Inês Gomes, Mariana Cequeira, Mariana Machado, Mariana Posse, Mark Napadenski, Marta Cabral, Matilde Florêncio, Sarah Zwerus, Sofia Vasconcelos, Sofia A Melancia e Tatiana Morais.

«O título revela esse espaço/ tempo entre o momento dos estudos do desenho na licenciatura (Práticas do Desenho) e a sua continuidade para os estudos no mestrado (Estúdio de Desenho). Se no primeiro momento, o desenho é entendido a partir dum enunciado sustentado na relação dialogante entre o projeto individual e o trabalho de um outro artista, no segundo, é entendido a partir das regras de cada autor(a) e do que ocorre e descobre no (fazer e pensar) desenho», segundo o texto da exposição.

Esta exposição acontece desde 2011, numa parceria entre o Lugar do Desenho e o Departamento de Desenho da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, promovendo «…um ciclo de exposições que tem vindo a mostrar a dimensão autónoma do desenho enquanto prática artística. Tratando-se de trabalhos realizados segundo um programa, assumem uma relação dialética entre o desenho como disciplina (enquanto objeto de estudo) e o desenho como prática autoral (enquanto atividade autónoma)».

Exposição «Two Virgins, por João Pimenta Gomes» no Espaço gnration-Galeria Zero em Braga, até 01 de outubro Créditos

«Two Virgins, por João Pimenta Gomes» é o projeto apresentado atualmente na galeria zero, espaço gnration4, em Braga, até 1 de outubro. Este novo projeto artístico do artista foi realizado entre 2022 e 2023 e é apresentado numa instalação, em que o artista visual e músico «apresenta duas peças sonoras compostas em paralelo durante esse período, ligadas através de um dispositivo que as une. Partindo da ideia de falso stereo e da construção desse imaginário ficcionado, muito ligado à conceção de discos da segunda metade da década de 60, João Pimenta Gomes cria duas composições sonoras de duração fixa, mas de perceção variável, utilizando os sistemas de síntese modular Eurorack a que habitualmente recorre para instalação e manipulação de sons no espaço», segundo a folha de sala.

Acrescenta-se ainda que «Two Virgins surge no seguimento de um outro trabalho que apresentou recentemente, Poly-Free, e marca uma nova abordagem de João Pimenta Gomes na construção de sons. Mantendo a matriz sonora a que recorre ­— exclusivamente a voz —, altera o ambiente da composição, sendo que toda a música apresentada nesta instalação foi composta em trânsito durante cerca de 80 viagens de comboio e utilizando apenas o computador e auscultadores. Não conseguindo medir o impacto deste contexto na sonoridade destas peças, a presença constante de um drone no trabalho poderá ter sido originado a partir desse confronto com a paisagem. Embora compostas em separado, João Pimenta Gomes imaginou-as como peças siamesas, numa relação pergunta / resposta, de individualidade comprometida pelo espaço físico, de dois corpos que procuram um só fim». 

João Pimenta Gomes (Lisboa, 1989) estudou Produção Musical, Fotografia e Desenho. A sua prática artística parte de referências do campo da música e explora as relações entre o espaço e o corpo através da manipulação de sintetizadores modulares, imagens, vídeos e objetos. Proporcionando encontros entre o analógico e o digital, o sensorial e o conceptual, é no cruzamento com a performance e em eventos ao vivo que o artista amplia estas relações e encontros estendendo-os à interação com o espectador.


O autor escreve ao abrigo do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90)

  • 1. Igreja de S. Vicente - Largo de São Vicente, Évora. Horário: 2ª feira a sábado | 10h00-13h00, 14h-18h.
  • 2. Biblioteca Municipal Ary Dos Santos (Sacavém)Rua James Gilman, 18 – Sacavém. Horário: terça a sábado, das 10h às 18h.
  • 3. Lugar do Desenho — Fundação Júlio Resende - Rua Pintor Júlio Resende, 105 4420-534 Valbom, Gondomar. Horário: Segunda a sexta: 09:30 — 12:30 e 14:30 — 18:30; Sábado: 14h30 — 17h30.
  • 4. Espaço gnration – Praça Conde de Agrolongo, 123 – Braga. Horário: segunda a sexta: 09:30 — 18:30 e sábado: 10h — 18h30.

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