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Partilha de olhares

III Bienal da Ardósia de Valongo/Fernando Lanhas e exposições de Eduardo Palaio no Seixal, Eduardo Teixeira de Sousa na Maia e Inês Pargana em Espinho.

III Bienal da Ardósia de Valongo «A paisagem como laboratório» / 100.ºAniversário Fernando Lanhas/ Exposição coletiva «ComVIVÊNCIAS de luz e cor» no Museu Municipal de Valongo, até 30 de novembro
III Bienal da Ardósia de Valongo «A paisagem como laboratório» / 100.ºAniversário Fernando Lanhas/ Exposição coletiva «ComVIVÊNCIAS de luz e cor» no Museu Municipal de Valongo, até 30 de novembroCréditos / Museu Municipal de Valongo

A III Bienal da Ardósia de Valongo vai decorrer até 30 de novembro sob o tema «A paisagem como laboratório». Esta bienal, à semelhança das suas anteriores edições, vai continuar a refletir no âmbito da corrente artística Land Art, onde a Natureza e o território de Valongo serão referência e espaço de criação para os artistas, seja com os materiais mais usados das artes plásticas como também «através da lousa e das rochas do complexo xisto-grauváquico», como descreve o texto de apresentação da bienal.

Além do tema da Bienal da Ardósia irão acontecer atividades artísticas com vista à comemoração do centenário do nascimento do pintor e arquiteto Fernando Lanhas (1923-2012), pioneiro da Arte Abstrata geométrica em Portugal e um ativo organizador das Exposições Independentes, entre 1944 e 1950, sendo de Lanhas as «intervenções pioneiras em três grandes áreas do nosso património ambiental e cultural, destacando-se: as primeiras intervenções artísticas na Serra de Valongo nos anos 40 (vinte anos antes da denominação Land Art), assim como o estudo e sistematização das trilobites aqui encontradas, terminando nos anos 70 com novos conceitos de museologia que abrangeram os Brinquedos de Alfena e Ermesinde, integrando os seus fabricantes e modos de produção no Museu de Etnografia e História do Porto».

A III Bienal da Ardósia de Valongo apresenta um programa de ações que se irão realizar até ao final do mês de novembro, nomeadamente: Seminários, Residências Artísticas, Exposições, Intervenções artísticas, Oficinas, Espetáculos e um Concurso Vídeo, fazendo especial referência para a Exposição coletiva internacional: «ComVIVÊNCIAS de luz e cor» que se realiza no Museu Municipal de Valongo1, com a participação dos artistas Alexina Lesur (França), Ana Norogrando (Brasil), António Regis da Silva (Brasil), Cedric Cellier (França), David Harrold (Nova Zelândia), Dominc Herr (Alemanha), Duncan Tomson (Reino Unido), Elsa César (Portugal), Janet Schreiber (Estados Unidos), Joaquim Tavares (Portugal), Khale AlnaZar (Kuwait), Sharleen Baird (Irlanda), Liam Benison (Austrália), Tomas Dias (Angola) e Tracey Halloran (Irlanda).

Exposição «Seixal, Luz e Traço» de Eduardo Palaio vai estar em vários espaços do núcleo urbano antigo do Seixal, até 30 novembro Créditos

A exposição «Seixal, Luz e Traço» vai estar em vários espaços do núcleo urbano antigo do Seixal, com textos e pinturas de Eduardo Palaio, até 30 novembro. Este olhar sobre o Seixal antigo é apresentado como «visto com os olhos de alguém que interiorizou os seus hábitos e costumes, os seus termos e as suas histórias». A exposição tem início no portão da Mundet, no Seixal.

«Eduardo Palaio regista com precisão aspetos desse passado em que ele foi um observador participante, atento às rotinas, aos ritmos e quotidiano dos habitantes desta terra, incluindo neles os cafés, as tabernas, a ida ao mercado, a barbearia, a farmácia, a fancaria, a saída da fábrica, a escola primária, as festas e a música, a deslocação para Lisboa, entre outros aspetos.

(…) Desde 2007 que Eduardo Palaio se ocupa do Espaço Memória – Tipografia Popular do Seixal. Na área artística pratica o desenho (começou nos anos 1960 pelo cartoon), ilustração e pintura, incluída a feitura de murais. Na atividade literária tem diversas obras publicadas nos géneros de literatura infantil, conto e romance. Entre vários prémios, foi-lhe atribuído em 2010 o Prémio Nacional do Conto Manuel da Fonseca e, no ano seguinte, o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco, atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores e que premeia em cada ano o que considera ser a melhor obra publicada neste género literário», segundo o texto da exposição.

«O Seixal está dentro da cabeça de cada um, impresso em modo que nenhuma selfie poderá reproduzir. O Seixal para mim, é luz e traço. Isto que vos apresento é o que coleciono nos meus olhos», disse Eduardo Palaio acerca desta exposição.

A Exposição Fotográfica «Crónicas Urbanas» de Eduardo Teixeira de Sousa pode ser visitada na Galeria de Exposições do Centr'Arte do Fórum da Maia2, até 26 de novembro.

Obra de Eduardo Teixeira de Sousa, Destiny (Khiva, Uzbekistan), fotografia. A Exposição Fotográfica «Crónicas Urbanas» de Eduardo Teixeira de Sousa pode ser visitada na Galeria de Exposições do Centr'Arte do Fórum da Maia, até 26 de novembro Créditos

«Combinando a dinâmica da fotografia de rua com o fascínio da fotografia de viagem, as imagens de Eduardo evocam uma serena quietude enquanto transportam os espectadores numa jornada visual por ruas e recantos escondidos ao redor do mundo. Desde uma loja no Cairo até um beco tranquilo em Samarcanda, da vibrante rua de Marraquexe a uma joia escondida em Angkor, cada fotografia evoca uma sensação de lugar, convidando-nos a explorar a diversidade de culturas e a parar, observar e apreciar a poesia dos cenários comuns. A exposição navega por estes espaços com espírito de empatia e antecipação, refletindo a crença de Eduardo num mundo de tesouros aguardando a descoberta através da magia da lente», são algumas das ideias que nos deixa o texto expositivo. 

Eduardo Teixeira de Sousa (Porto, 1968) é autodidata na área da fotografia, diz-se um ávido consumidor de livros, de cinema e de exposições, procurando a síntese contínua destes estímulos no desenvolvimento de capacidades nas artes da imagem e da narrativa, reconhecendo até mesmo a ilustração como fonte de inspiração e assume-se como um fotógrafo de rua. As suas fotografias procuram incidir essencialmente nos contrastes e nas disposições humanas, nas idiossincrasias do quotidiano, nas suas dificuldades e tensões, na aleatoriedade de tudo, no absurdo ocasional e na solidão. Como fotógrafo, persegue uma certa beleza formal, uma harmonia em todo o enquadramento, algo que traga o espectador sentir-se conectado à imagem capturada. Os principais temas abordados pela sua obra são a humanidade e a ternura, a pura e compartilhada alegria de viver.

Obra de Inês Pargana, Lygia & Marie, 210x150cm. Exposição de pintura «Desapego» de Inês Pargana no Museu Municipal de Espinho, até 26 de novembro Créditos

O Museu Municipal de Espinho3 apresenta a exposição de pintura «Desapego» de Inês Pargana, que irá decorrer até 26 de novembro. A artista, em conjunto com a comunidade de seguidores no Instagram, construiu as obras agora apresentadas. «São mulheres de Desapego não são frias nem egoístas. Não são desinteressadas nem desvinculadas. Não se crê que sejam budistas e muito menos taoistas. São mulheres com histórias…», refere a artista.

«É importante para mim pintar mulheres que tenham uma narrativa, uma personalidade, que podem falar connosco, para nós percebermos quem é que elas são… eu quase sinto que elas são reais… na exposição podemos interagir e reconstruir as suas histórias», disse Inês Pargana.

Num texto de apresentação do seu trabalho, a artista escreveu: «Neste universo feminino, cheio de segredos, está acompanhada por tantas pessoas, que a seguem no Instagram e participam no processo criativo, desvelando, passo a passo, a história de cada personagem que Inês vai pintando. Nas exposições, esta sua comunidade descobre-se em cada obra interagindo com algumas, como se fossem suas. É arte partilhada entre a artista e quem se revê no exposto».


O autor escreve ao abrigo do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90)

  • 1. Museu Municipal de Valongo - Rua São Mamede, 4440-452 Valongo, Portugal. Horário: segunda a sexta das 9h às 12h30 e das 14h às 17h30.
  • 2. Fórum da Maia - Rua Eng. Duarte Pacheco 131, 4470-136 Maia, Portugal. Horário: terça a domingo, das 10h às 22h.
  • 3. Museu Municipal de Espinho - Rua 41 / Avenida João de Deus, 4500 Espinho. Horário: segunda a sexta das 10h às 17h, sábado das 10h às 18h.

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