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«Os Antípodas»: um processo criativo com relações laborais tóxicas

Encenado por João Pedro Mamede, sob a chancela da companhia de Os Possessos, em Os Antípodas, a busca pela produtividade num processo criativo dá azo ao assédio laboral. A peça estará em cena no Teatro do Bairro Alto até 16 de Maio.

Os Antípodas, de Annie Baker, é uma peça centrada num grupo de guionistas à procura da «história perfeita». Encenada por João Pedro Mamede, a companhia Os Possessos, procura, com este pano de fundo, ir além do processo criativo e retrata um contexto laboral tóxico com abusos laborais e assédio.

A peça retrata um departamento criativo de uma empresa, um grupo de seis escritores, que estão num processo de criação. Para isto importou a própria escolha do elenco que, segundo João Pedro Mamede, é «generoso»: «precisava que os egos dos actores fossem a coisa menos importante na sala. É preciso muita escuta, muita atenção, muita simultaneidade, muita gente a falar ao mesmo tempo. E têm todos que se ouvir e saber onde é que está o espetáculo nesse momento», pode ouvir-se numa entrevista que se pode encontrar no site do Teatro do Bairro Alto. 

O mesmo esclarece, numa entrevista conduzida por Mauro Farinha, que o ambiente retratado tenebroso, com violência verbal explícita e, como tal, «nunca daria para fazer is[so] com actores, que por muito bons que fossem, depois apresentassem, na sua índole, um comportamento mais tóxico». 

Deste modo, Os Antípodas conta com João Pedro Vaz, Isabel Costa, Catarina Rôlo Salgueiro, Vasco Barroso, Pedro Caeiro, Rafael Gomes, Leonardo Garibaldi, André Pardal e Henrique Gil. A tradução foi feita por Fernando Villas-Boas. 

Os Possessos são um colectivo artístico que trabalha em torno de projectos teatrais e performativos, tendo por base narrativas universais e a criação de uma ficção comum sobre a realidade entre os artistas e o público. Actualmente contam com Catarina Rôlo Salgueiro, Isabel Costa, João Pedro Mamede, Leonardo Garibaldi e Leonor Buescu. Para Os Possessos, João Pedro Mamede criou Rapsódia Batman (2014), II - A Mentira (2015), Marcha Invencível (2017) e O Novo Mundo (2018); e encenou Victor ou as crianças no poder de Roger Vitrac.
 

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