|arte

Teatro do Bairro estreia «Rei Lear» com tradução de Álvaro Cunhal feita na prisão

Rei Lear, umas das mais emblemáticas de William Shakespeare, subirá a palco no Teatro do Bairro, em Lisboa. A peça estreia na próxima sexta-feira, dia 3 de Abril, e é encenada por António Pires, que a ergueu a partir da tradução feita por Álvaro Cunhal quando estava na prisão. 

CréditosMiguel Bartolomeu / Teatro do Bairro

Um tratado sobre o poder e a loucura, a velhice e a bajulação, a ingratidão, o narcisismo e a fragilidade do ser humano, Rei Lear é uma das mais famosas obras de William Shakespeare, dramaturgo inglês que, para muitos, foi o melhor de sempre.     

Se a peço por si só seria matéria noticiosa, há mais. A estrear na próxima sexta-feira, a versão que será levada a palco é a que foi traduzida por Álvaro Cunhal quando este se encontrava preso pelo fascimo portugues, na década de 1950.

De acordo com o encenador, António Pires, a peça «é muito fiel» à tradução, «quase não tem alterações« e, apesar de «alguns ajustes e alguma substituição de palavras para ficar um bocado mais dizível», tudo foi feito «com base nas notas do tradutor», disse o encenador à agência Lusa.

A tradução foi publicada anonimamente, pela primeira vez, na década de 1960, pela Tipografia Scarpa. Em 2002, a editorial Caminho fez uma edição, já identificada, com anotações e desenhos do antigo secretário-geral do PCP. Esta mesma versão viria a ser reeditada em 2018 pela Página a Página, também com a nota do tradutor e a introdução de Luís de Sousa Rebelo, catedrático do King's College, em Londres.

Para António Pires, Rei Lear é «uma tragédia sobre alguém com muito poder e que acha que pode fazer tudo», acrescentando a sorrir, que vai «parecer um bocado igual a umas coisas que se andam a passar».

A interpretar Rei Lear estão Adriano Luz, André Ramos, Carolina Campanela, Cláudio da Silva, Crista Alfaiate, Dinarte Branco, Dinis Gomes, Francisco Vistas, Gonçalo Norton, Hugo Mestre Amaro, Jaime Baeta, João Barbosa, Marcelo Urgeghe, Rodrigo Macghado e Sofia Marques.Os figurinos são de Luísa Pacheco e na assistência de encenação está Carolina Ferrão.A peça tem desenho de luz de Rui Seabra, desenho de som de Paulo Abelho, operação de luz de António Serrão e João Madeira e operação de som de Vasco Maciel.

Com produção da Ar de Filmes/Teatro do Bairro, Rei Lear estará em cena até 26 de Abril, com récitas de quarta-feira a sábado, às 21h, e, ao domingo, às 17h.
 

Tópico

Contribui para uma boa ideia

Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.

O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.

Contribui aqui