|Zeca Afonso

Nos 90 anos de Zeca Afonso, preservar uma obra de interesse nacional

A Associação José Afonso (AJA) lançou recentemente uma petição para «declarar a obra de José Afonso de interesse nacional», para salvaguardar o acesso ao trabalho do artista.    

Zeca Afonso morreu aos 57 anos
Zeca Afonso faria 90 anos no próximo dia 2 de Agosto Créditos / Glosas

Numa petição online que já ultrapassa as 11 mil assinaturas, a Associação José Afonso (AJA) dirige ao Presidente da Assembleia da República e aos deputados o pedido de reconhecimento e protecção da obra do artista.

José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, também conhecido por Zeca Afonso, foi uma figura maior da cultura portuguesa, cumprindo-se, em 2 de Agosto, 90 anos desde o seu nascimento. A sua obra conta com o tema «Grândola, Vila Morena», sendo esta uma das duas canções-senha escolhidas pelo Movimento das Forças Armadas na madrugada do 25 de Abril de 1974.

«[José Afonso no Panteão?] Que, juntamente com todos nós, as entidades a quem isso cabe façam, sim, o que urge fazer para manter disponível a totalidade da obra inigualável de José Afonso, para a divulgar, a estudar, a dar a ouvir na rádio e nas televisões.»

José António Gomes, em «E o Zeca salvou-se», 1 de Setembro de 2018

A AJA lançou recentemente uma petição para «declarar a obra de José Afonso de interesse nacional» para tornar o acesso ao trabalho do reconhecido artista não só mais fácil, mas mesmo possível. De acordo com a AJA, «a sua obra encontra-se esgotada, sem editora que assuma a respectiva reedição, impossibilitando assim o seu acesso público». 

Esta Associação refere ainda que existe «um imbróglio jurídico, porque a Movieplay [a editora que detém os direitos comerciais da obra de José Afonso] está em situação de insolvência e não se sabe do paradeiro dos masters das músicas gravadas pelo Zeca Afonso».

Por iniciativa do PCP, foi apresentada, dia 4 de Julho, na Assembleia da República, uma recomendação ao Governo que vai no mesmo sentido, considerando «urgente preservar e divulgar a obra de José Afonso, permitindo o seu acesso a todos».

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