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ASPP acusa Governo de «instrumentalizar acção policial» nos protestos pela habitação

O maior sindicato da PSP critica a postura do Governo de «instrumentalizar a acção policial» nos protestos pela habitação e «expor os operacionais no terreno a situações extremas», lamentando a «intromissão política».

Créditos Manuel de Almeida / Agência Lusa

«A ASPP/PSP lamenta profundamente a postura recente do Governo – em particular do primeiro-ministro e do ministro da Administração Interna. Ao instrumentalizarem a ação policial, continuam a expor os operacionais no terreno a situações extremas, arriscando a imagem e a reputação construídas pelos polícias com rigor e proximidade ao longo de anos», refere o maior sindicato da PSP num comunicado divulgado esta quarta-feira sobre as intervenções policiais nas acampadas de Lisboa e do Porto.

A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP)  considera também que «a actuação forçada nos recentes episódios revela limitações à liberdade de acção da polícia, além de uma precipitação e intromissão política inaceitáveis, que comprometem a instituição e os seus profissionais».

«Os constantes ziguezagues do MAI [Ministério da Administração Interna], a leviandade perante decisões judiciais e a aplicação cega de regras transferem indevidamente o ónus da crise da habitação para os polícias, com graves consequências reputacionais e operacionais», salienta o sindicato, que diz ter até agora optado pelo silêncio «para não alimentar o espectáculo mediático».

Sustentando que não pretende «revisitar o célebre episódio dos secos e molhados de 1989», em que polícias fardados carregaram contra polícias que se manifestavam por melhor condições de trabalho, a ASPP/PSP precisa: «mantemos a crítica frontal ao Governo e a defesa intransigente dos profissionais da PSP, nas suas várias dimensões».

«Sobre as restrições impostas e a forma como alguns sectores interpretam o direito de manifestação – actuando em aparente alinhamento com o poder governativo –, a ASPP/PSP alerta para o seguinte: enquanto estrutura representativa de profissionais (sindicato), o que hoje condiciona uns, amanhã limitará os direitos de todos, incluindo os dos polícias», refere ainda o sindicato.

Os protestos pelo direito à habitação começaram a 10 de Outubro na Praça D. João I, no Porto, e em Lisboa a 17 de Outubro na Praça do Rossio, tendo a PSP dispersado em diversas ocasiões as acampadas com cargas policiais que levaram à detenção de dezenas de pessoas e provocaram dezenas de feridos entre manifestantes e polícias.

Com agência Lusa

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