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Milhares de pessoas nas ruas de Vigo em defesa da saúde pública

Na manifestação, organizada pela plataforma SOS Sanidade Pública, milhares de pessoas denunciaram as listas de espera, a falta de profissionais e o aumento das transferências para o sector privado.

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Milhares de pessoas denunciaram, em Vigo, a deterioração progressiva dos sistema público de saúde, exigiram a reversão das concessões aos privados e reclamaram recursos suficientes para um serviço público de elevada qualidade Créditos / CIG

O encerramento de camas hospitalares, as listas de espera e a escassez de profissionais de saúde levaram, mais uma vez, milhares de pessoas às ruas de Vigo esta quarta-feira.

Os manifestantes responderam ao apelo da plataforma SOS Sanidade Pública na exigência de um sistema de saúde público de alta qualidade, reclamando à Xunta da Galiza soluções para aquilo que a organização descreve como contínua deterioração dos serviços de saúde.

No centro destas reivindicações está um objectivo primordial: reconstruir a área da saúde viguesa e acabar com o desvio de recursos públicos para o sector privado da saúde.

Sob o lema «Reconstruir a área da saúde», a mobilização arrancou da Praça dos Cavalos pelas 19h. No final da marcha, a SOS Sanidade destacou que os mais recentes relatórios do Conselho de Contas da Galiza e a documentação reunida pela própria plataforma demonstram que os problemas não são incidentes isolados nem questões temporárias, mas sim a consequência de decisões políticas tomadas ao longo dos últimos anos.

Neste sentido – refere a Confederação Intersindical Galega (CIG) no seu portal –, a mobilização serviu para reivindicar uma mudança de rumo, bem como medidas que permitam recuperar um sistema de saúde público de elevada qualidade na Galiza, em especial numa área que atravessa um dos períodos mais críticos das últimas décadas.

Reverter a concessão do Álvaro Cunqueiro

Entre as principais reivindicações, conta-se a do «resgate» do Hospital Álvaro Cunqueiro – por via da reversão da concessão, de modo a garantir que a sua titularidade e a sua gestão passam a ser integralmente públicas –, bem como o restabelecimento do projecto e do plano funcional originais.

Em declarações ao Nós Diario, Manuel González Moreira, porta-voz da SOS Sanidade Pública em Vigo, alertou que «os recursos de saúde de Vigo são insuficientes para fazer face às necessidades assistenciais da população».

Segundo denunciou, os recursos de saúde no Álvaro Cunqueiro foram «reduzidos durante a fase de construção», e posteriormente a capacidade do hospital não foi adaptada às novas necessidades da população, incluindo o aumento das doenças crónicas.

Mais camas e recuperação dos cuidados primários

A plataforma reivindica ainda a ampliação de camas e dos serviços hospitalares – através da construção do edifício anexo previsto, visando atingir um total de 1265 camas –, bem como a reactivação das unidades de Cuidados Mínimos, de Ensino e Investigação, e de Reabilitação. Além disso, exige que as 422 camas do Hospital Meixoeiro e as 117 camas do Hospital Nicolás Peña operem na sua capacidade total.

A recuperação dos cuidados primários foi outra reivindicação central do protesto. O movimento SOS Sanidade Pública defende um maior investimento, a redução do trabalho temporário para um patamar abaixo dos 8%, e a garantia de equipas adequadas e de infra-estruturas dignas.

No que diz respeito às infra-estruturas, a plataforma defende ainda a construção de Centros de Alta Resolução (CAR) em Vigo e no Morraço, bem como a melhoria dos recursos de saúde nesta última comarca. Além disso, reivindica a elaboração de um Plano de Gestão de Recursos Humanos para a área de Vigo, visando garantir um serviço de qualidade, sustentado por recursos públicos suficientes, refere a fonte.

A plataforma denuncia também a situação das listas de doentes nos cuidados primários – com o volume diário de atendimentos a ultrapassar 40 ou 50 doentes por profissional – e chama a atenção para o facto de milhares de pessoas passarem meses ou anos sem um médico atribuído.

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