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Há «Imagens (e Sons) da Luta de Libertação em Angola» para ver (e ouvir) no Aljube

Inaugurada no passado dia 22 de Julho, a exposição «Augusta Conchiglia nos Trilhos da Frente Leste» apresenta imagens do primeiro álbum fotográfico de alguém exterior às lutas de libertação africanas.

«Augusta Conchiglia nos Trilhos da Frente Leste – Imagens (e Sons) da Luta de Libertação em Angola» pode ser vista até 31 de Dezembro de 2021 
«Augusta Conchiglia nos Trilhos da Frente Leste – Imagens (e Sons) da Luta de Libertação em Angola» pode ser vista até 31 de Dezembro de 2021 Créditos / Museu do Aljube - Resistência e Liberdade

«Em Abril de 1968, Augusta Conchiglia entrou clandestinamente em Angola para, com o realizador Stefano de Stefani, reportar a luta de libertação em curso. Até Setembro, guiados pelos guerrilheiros do MPLA, percorreram centenas de quilómetros nas zonas libertadas do Moxico e do Cuando-Cubango.»

É assim que o portal do Museu do Aljube – Resistência e Liberdade começa por apresentar a exposição «Augusta Conchiglia nos Trilhos da Frente Leste – Imagens (e Sons) da Luta de Libertação em Angola», que agora está patente ao público nas suas instalações, em Lisboa.

Conchiglia tirou milhares de fotografias, uma pequena parte das quais foi publicada em Guerra di Popolo in Angola (1969). Agora, com curadoria de Maria do Carmo Piçarra e José da Costa Ramos, a exposição em curso «apresenta imagens do primeiro álbum fotográfico da autoria de alguém exterior às lutas de libertação africanas» e também «imagens inéditas, recuperadas nos arquivos da autora».

«A fotógrafa italiana recolheu ainda sons – canções, dramatizações, discursos, interrogatórios a prisioneiros portugueses – editados no vinil Angola chiama. Documenti e canti dalle zone liberate (1973)» e, destaca o museu, as imagens e sons apresentados «evocam esperanças e lutas dos que viviam nas zonas libertadas em Angola».

As imagens de Augusta Conchiglia, «que nem sempre lhe são creditadas», foram usadas pela poeta e cineasta Sarah Maldoror e pelo fotógrafo e cineasta William Klein, tendo-se tornado «iconográficas da luta de libertação contra o colonialismo português», afirma o museu, sublinhando que se trata de «um gesto de restituição, que projecta o nome da sua autora com as suas imagens».

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