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Editora Cotovia encerra no final do ano

A Cotovia, que reuniu no seu catálogo autores como Agostinho da Silva, Frederico Lourenço e Manuel Resende, faz a sua última presença na Feira do Livro de Lisboa e vai fechar no final do ano.

Créditos / Plataforma Media

«Caro Leitor, esta é a última presença da Cotovia na Feira do Livro de Lisboa. A editora fecha no final do ano», lê-se na mensagem publicada ontem pela editora na sua página oficial no Facebook, sobre uma imagem do seu pavilhão, no Parque Eduardo VII.

«A partir de amanhã [terça-feira], disponibilizamos livros descatalogados no nosso pavilhão da Feira [...] Estamos (péssima localização, mas não dependeu de nós) a abrir o corredor mais perto do relvado central, quando se desce o Parque pela ala direita», acrescenta.

Depois da concentração de propriedade, que sufocou pequenas editoras e livrarias, o sector livreiro foi um dos mais afectados devido às medidas destinadas a travar a propagação do novo coronavírus. A Livros Cotovia, que em Março abandonou o espaço que ocupou no Chiado, em Lisboa, ao longo de três décadas, agradece aos leitores e informa que será representada no Porto pela Livraria Flâneur.

Crónicas 1974-2001, de Nuno Brederode dos Santos, e Bucólicas, de Virgílio, estão entre as mais recentes e derradeiras edições dos Livros Cotovia, assim como textos dramáticos de Federico García Lorca, Giovanni Testori e Witold Gombrowicz, incluídos na colecção «Livrinhos do Teatro», construída em parceria com a companhia Artistas Unidos.

A Livros Cotovia foi fundada em 1988, por André Fernandes Jorge (1945-2016), com seu irmão, o poeta João Miguel Fernandes Jorge, que abandonou o projecto editorial pouco tempo depois.

Ao longo de mais de 30 anos, a editora ultrapassou os 700 títulos, de 350 autores, «todos eles relevantes», para «um público leitor que sabe o que quer», como escreve no seu site, e todos eles detentores de uma identidade própria, marcada, na sua maioria, pela imagem gráfica original, desenhada pelo cineasta João Botelho.

Os portugueses A.M. Pires Cabral, Teresa Veiga, Daniel Jonas, Luís Quintais, Paulo José Miranda, Jacinto Lucas Pires, Eduarda Dionísio, Luísa Costa Gomes, constam do catálogo da Cotovia, assim como o angolano Ruy Duarte de Carvalho e os brasileiros André Sant'Anna, Bernardo Carvalho, Carlito Azevedo e Marcelo Mirisola, entre muitos outros autores de língua portuguesa dos dois lados do Atlântico.

Martin Amis, Virginia Wolf, Roberto Calasso, Doris Lessing e Natalia Ginzburg estão entre os autores traduzidos ao longo dos anos pela Cotovia, assim como John Milton, Robert Louis Stevenson e Arthur Schnitzler.

«Responsável pela edição, pela primeira vez em língua portuguesa, de vários autores de renome internacional, e também pela descoberta e promoção de alguns autores rapidamente reconhecidos como os "novos" da literatura portuguesa, a Cotovia é ainda uma das raras editoras que em Portugal publica regularmente textos dramáticos (portugueses e em tradução)», descreve, na apresentação que a Cotovia mantém na sua página na internet.

Nas colecções de Ensaio, Ficção, Poesia encontram-se autores como Paul Celan, Iosif Brodskii, Luis Cernuda, Doris Lessing, Eric Rohmer, Reiner Werner Fassbinder, Thomas Bernhard, Christa Wolf, José Ortega y Gasset, Simone Weill, Victor Aguiar e Silva, João Barrento e Jorge de Sena.

Na colecção de clássicos gregos e latinos, a Cotovia publicou Homero, Virgílio, Ovídio, Apuleio, Petrónio, Horácio, entre muitos outros, fazendo com que os seus títulos chegassem ao público em geral, acompanhando-os ainda de estudos e ensaios.


Com agência Lusa

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