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Concerto de tributo a Rui Pato em Lisboa

A Associação José Afonso promove um concerto de tributo a Rui Pato, uma das figuras centrais da canção coimbrã, primeiro grande acompanhante do Zeca e, posteriormente, de Adriano Correia de Oliveira.

Rui Pato. Foto de arquivo
Rui Pato. Foto de arquivoCréditos / 24.sapo.pt

A Associação José Afonso (AJA) promove este sábado, dia 16 de Novembro, um concerto de tributo a Rui Pato, intérprete central da canção de Coimbra e primeiro grande acompanhante de Zeca Afonso. O espectáculo realizar-se-á no Fórum Lisboa (à Av. de Roma) e principia às 17h.

A iniciativa insere-se nas comemorações do 32.º aniversário da associação (da qual Rui Pato é vice-presidente da Mesa da Assembleia-geral), a qual tem por fim celebrar a obra e o exemplo cívico de José Afonso. Com este concerto pretende-se evocar a obra de gente da geração do Zeca.

Além de Rui Pato e do Grupo Raízes de Coimbra, que integra, actuarão António Ataíde, João Afonso, Rogério Pires e Francisco Fanhais.

O Grupo Raízes de Coimbra nasceu em 2005, no seio da Associação dos Antigos Tunos da Universidade de Coimbra, e com ela procura divulgar os valores histórico-culturais e tradicionais da cidade. Dois dos seus membros, Octávio Sérgio (guitarra portuguesa) e Rui Pato (viola), são considerados como fazendo parte da segunda geração de ouro do fado de Coimbra. Heitor Lopes e Mário Rovira são os cantores do grupo, que também integra Paulo Alexandre (guitarra), Armando Luís de Carvalho Homem e Humberto Matias (viola).

Rui Pato iniciou em 1962, com 16 anos, uma estreita colaboração musical com José Afonso. Acompanhou-o pela primeira vez à viola na gravação do EP Baladas de Coimbra (1962). A partir daí várias colaborações se seguiram, com a viola de Rui Pato a ter um papel decisivo nos LP Baladas e Canções (1964), Cantares do Andarilho (1968) e Contos Velhos, Rumos Novos (1969). A continuação da parceria discográfica foi interrompida pelo regime de Salazar nas gravações de Traz Outro Amigo Também, quando a polícia política do regime proibiu Rui Pato de embarcar para Londres – onde ia ser gravado o disco – como represália pela sua participação na greve estudantil de 1969, em Coimbra.

Para além de José Afonso, Rui Pato teve também um papel preponderante na obra de Adriano Correia de Oliveira, tendo acompanhado o cantor nos trabalhos O Canto e as Armas (1969), Cantaremos (1970), Gente de Aqui e de Agora (1971), e Fados e Baladas de Coimbra (1973).

O músico, como contou em entrevista recente ao Público, «tinha a viola debaixo da cama». Voltou a pegar-lhe em 2011, desafiado por António Ataíde, e não a voltou a guardar.

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