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Alfredo Tropa, uma vida de serviço público

O realizador português Alfredo Tropa, que acompanhou Michel Giacommetti e Fernando Lopes-Graça no trabalho que documentou «O Povo que Canta», faleceu este domingo, aos 81 anos.

«Pedro Só», primeira longa-metragem de Alfredo Tropa, confirma o realizador como uma das figuras do Cinema Novo português
«Pedro Só», primeira longa-metragem de Alfredo Tropa, confirma o realizador como uma das figuras do Cinema Novo portuguêsCréditos / RTP

A Academia Portuguesa de Cinema, que deu a notícia da morte do realizador de cinema e de televisão, informa que Alfredo Tropa será «um dos homenageados com o Prémio Sophia de Carreira 2020, celebrando assim a academia, os 50 anos do nascimento do Centro Português de Cinema», do qual foi um dos fundadores.

Alfredo Ricardo Rezende Tropa estudou na Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, onde se iniciou no movimento cineclubista e realizou a sua primeira curta-metragem, Inundações, em 1960.

Em 1961, partiu para Paris, com uma bolsa do Fundo do Cinema Nacional, tendo obtido o diploma de realização no Institut des Hautes Études Cinématographiques. Estagiou na televisão francesa e regressou a Portugal para participar na fundação da Média Filmes.

Iniciou a carreira como assistente de realização nos filmes fundadores do Cinema Novo português, como Mudar de Vida, de Paulo Rocha, e Uma Abelha na Chuva, de Fernando Lopes. Na sua filmografia constam curtas-metragens como Regata (1968), Um Homem, Uma Obra (1973), e as longas-metragens Pedro Só (1970) e Bárbara (1979).

Na televisão, Alfredo Tropa dedicou a sua carreira à RTP, tendo entrado nos quadros da empresa em 1968. Entre os documentários e programas realizados por Tropa surge inevitavelmente O Povo que Canta (1971), série que documenta a investigação do musicólogo Michel Giacometti e do compositor Fernando Lopes-Graça, por todo o País.

Na televisão pública foi director dos Arquivos e Documentação. No 25 de Abril de 1974 realizou a emissão especial a partir dos estúdios da RTP no Lumiar, então controlados pelo Movimento das Forças Armadas (MFA).

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