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Sindicatos denunciam o despedimento de milhares na TAP

Está em curso um plano que poderá levar à saída de 4600 trabalhadores. É uma imposição da Comissão Europeia como contrapartida a um investimento do Estado para fazer face às dificuldades da companhia.

O plano de reestruturação da TAP determina o despedimento de 750 trabalhadores de terra e 500 pilotos e ainda um corte de 25% nos salários, que só não abrange os mais baixos, segundo um comunicado conjunto de sete sindicatos, divulgado este sábado, na sequência de uma reunião com a administração.

No documento subscrito pelo Sindicato dos Economistas (SE), Sindicato dos Engenheiros (SERS), Sindicato dos Contabilistas (SICONT), Sindicato das Indústrias Metalúrgica e Afins (SIMA), Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (SINTAC), Sindicato dos Quadros da Aviação Comercial (SQAC) e Sindicato dos Técnicos de Handling de Aeroportos (STHA), denuncia-se que, no que respeita ao pessoal de terra, tratam-se de 450 trabalhadores da M&E e 300 da sede.

Também a direcção do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) lamenta, noutro comunicado, o despedimento de 500 pilotos, sobretudo «depois de muitas semanas em que manifestamos a nossa disponibilidade para colaborar na definição dos pressupostos técnicos, económicos e financeiros para as medidas de reestruturação, a resposta surpreendente veio sob a forma de uma percentagem de cortes nos vencimentos e de um número de pilotos da TAP a dispensar sem qualquer justificação ou critério».

Mas a plataforma de sindicatos da TAP alerta ainda para o objectivo de uma redução global de 3000 trabalhadores do quadro, pela imposição de medidas «voluntárias», como rescisões por mútuo acordo, licenças sem vencimento de longa duração, trabalho a tempo parcial e outros mecanismos.

Há ainda a possibilidade de os despedimentos virem a abranger os «cerca de 1600 trabalhadores contratados a termo desde Abril de 2020 até Março de 2021», que não terão os seus contratos renovados, o que, na prática, totaliza uma redução de «4600 num universo de quase 11000 trabalhadores», denunciam os sindicatos.

A situação complica-se ainda mais com o fim dos apoios do Governo à retoma progressiva, já a partir do dia 1 de Dezembro, o que significa que os trabalhadores voltam a cumprir o seu horário completo. Para os sindicatos, esta decisão clarifica um «objectivo do Governo» de «despedir 60 dias após os apoios recebidos».

O plano de reestruturação da TAP está a ser preparado por uma consultora, a Boston Consulting Group, e tem que ser apresentado à CE até 10 de Dezembro.

Trata-se de uma imposição desta instituição da União Europeia, como contrapartida a um investimento do Estado que poderá ser de 1200 milhões de euros, para fazer face às dificuldades da companhia, decorrentes do impacto da pandemia de Covid-19 no sector da aviação.

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