«É um direito dos trabalhadores ser avaliados e é um dever das instituições avaliarem os profissionais. Os enfermeiros nestas duas instituições têm avaliação por concretizar e isso tem impactos no salário das pessoas. Nós temos questionado as instituições, as instituições empurram com a barriga para a frente. E os colegas estão revoltados», disse a coordenadora da direcção regional do Norte do SEP (CGTP-IN), esta terça-feira.
Fátima Monteiro falava aos jornalistas à entrada do Hospital de Santo António, no centro do Porto, ao lado de colegas que seguravam uma faixa com a frase «ULS São João e Santo António de 2023 a 2025 sem avaliação, enfermeiros exigem resolução».
A responsável adiantou que o SEP fez chegar, no final de Julho, uma queixa junto da Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) e aguarda resposta, acrescentando que a situação também já foi reportada ao Ministério da Saúde e à Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS).
Em causa está o cumprimento do Sistema Integrado de Gestão e Avaliação do Desempenho na Administração Pública em Portugal (SIADAP) para o biénio 2023/2024 e o ano de 2025.
Sem conseguir precisar quantos enfermeiros estão nesta situação, nem qual o bolo total de remuneração em causa, Fátima Monteiro disse que, por parte das ULS, as «desculpas» têm sido «sempre as mesmas».
«Falam em falta de pessoal. Isto já é um problema que tem que ser o Ministério, o Governo, a resolver», referiu.
No total, nas duas maiores ULS do Grande Porto trabalham cerca de cinco mil enfermeiros. Segundo a coordenadora do SEP/Norte «serão centenas de enfermeiros que estão com a sua remuneração aquém daquilo que é o adequado».
«Portanto, continuamos a reivindicar rapidamente a finalização da avaliação e o reposicionamento, até porque este dinheiro já deve estar orçamentado nas despesas dos hospitais porque eles sabem quantos enfermeiros têm direito à progressão. Há situações diferentes, mas a maioria será 150 euros. Mas poderá haver colegas, em função da avaliação que tenham, de muito bons, a ter pontos suficientes para fazer duas progressões», descreveu.
E deixou uma garantia: «Desbloqueado o processo, [os enfermeiros] exigirão retroactivos», disse.
A Lusa questionou as ULS de São João e de Santo António sobre esta matéria, mas ao fim da manhã desta terça-feira ainda não tinha obtido resposta.
Contribui para uma boa ideia
Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.
O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.
Contribui aqui